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Ogopogo - Criptozoologia

Author: Luiza / Marcadores: , , , ,



  Em meados do Século XVII (dezessete), as tribos nativas da região de Okanagan, localizada na província da Colúmbia Britânica, no Canadá, tomaram conhecimento de que uma criatura monstruosa habitava o lago que hoje em dia é chamado de Lago Okanagan. Chamaram a criatura de “N'ha-A-Itk”, que significa “espírito sagrado das águas” e suas superstições nativas exigiam certas tradições antes de entrar nos domínios de N'ha-A-Itk. Uma de suas tradições aparentemente exigiam o sacrifício de um animal pequeno como uma oferenda antes de entrar no lago. Também costumavam amarrar seus cavalos em terra firme atrás de suas canoas, para que não fossem capturados e levados para as profundezas pela criatura, e assim poder entrar no lago, ir até a caverna onde acreditavam que o monstro vivia e lá deixar suas oferendas.


  Os chefes dos povoados da época também alegavam ter visto a criatura, e por isso montavam guarda ao redor do lago para que não atacasse suas famílias. 
  No ano de 1890, o capitão Thomas Shorts estava navegando pelo lago Okanagan quando avistou uma criatura de aproximadamente 5 metros de comprimento, com barbatanas e uma cabeça parecida com a de uma ovelha. A criatura rapidamente submergiu quando o capitão virou o barco indo em sua direção, e claro, depois ao voltar para a cidade, ninguém acreditou quando ele contou o que havia visto. Mas outros relatos de aparições dessa criatura foram registrados 2 ou 3 anos depois, e as pessoas começaram a observar melhor o lago Okanagan. A população local passou a acreditar fervorosamente na existência do monstro, e passaram a chamá-lo de Ogopogo.

   O nome Ogopogo começou a ser popularizado em meados de 1929, durante uma reunião de um conselho de negócios e vendas na cidade de Kelowna, onde uma canção que mencionava o nome “Ogopogo” estava tocando. Alguns dos membros do conselho então acharam uma boa ideia nomear o monstro do lago da região de Ogopogo.

  Alguns cientistas acreditam que a criatura vista por essas pessoas se tratam de uma espécie primitiva de baleia, Basilosaurus cetoides, uma baleia pré-histórica que viveu durante a era Cenozoica, há mais ou menos 35 milhões de anos atrás. A aparência em geral da Basilosaurus cetoides corresponde quase completamente com as descrições feitas por pessoas que avistaram o Ogopogo. As descrições do monstro são de que possui cerca de 30 a 60 centímetros de diâmetro com largura de 10 á 20 metros, mas claro, essa descrição varia de pessoa pra pessoa que alegava ter visto a criatura. Sua cabeça se assemelha a de um cavalo ou a de uma ovelha. Uma característica que é frequentemente citada por várias pessoas é a sua semelhança com um tronco de árvore. Dizem até que tem a habilidade de se mover rapidamente e algumas de suas aparições sugerem que estava se alimentando de peixes e algas marinhas. 

   Na década de 80, a companhia de turismo da cidade ofereceu um milhão de dólares para quem apresentasse provas da existência do Ogopogo. Segundo o site de notícias da BBC (a fonte está no final do post) até a Greenpeace interviu para declarar o Ogopogo uma espécie ameaçada e exigiu que apenas imagens fossem capturadas da criatura, e não pedaços de seu corpo. Vários programas de TV da época faziam matérias sobre o Ogopogo. Até os dias de hoje, há pessoas que alegam ter visto o Ogopogo e que até mesmo apresentam fotos e vídeos que apresentam uma figura comprida e ondulante na superfície do lago Okanagan. 

   Para as tribos indígenas locais, o Ogopogo ainda é chamado de N'ha-A-Itk e apresenta um significado espiritual. Para os indígenas, o Ogopogo é um espírito protetor do lago Okanagan, e até hoje fazem suas cerimônias e apresentam suas oferendas na superfície do lago, permitindo ocasionalmente que turistas participem para que obtenham um melhor entendimento da cultura indígena. A popularização do Ogopogo pelos colonizadores britânicos e seus descendentes significa uma apropriação cultural desrespeitosa. Os colonizadores interpretaram mal o que ouviram dos indígenas, apropriaram-se da lenda e criaram suas próprias versões da história sem ao menos notar o quão desrespeitoso isso é. Com o tempo, utilizaram-se da lenda para lucrar com turismo e até hoje o lago Okanagan é frequentemente visitado por conta da história do Ogopogo.




Selo postal Canadense com uma ilustração do Ogopogo, datado de 1939



   Fonte:

  KADANE, Lisa. Canada's Mysterious Lake. BBC News, Canadá, 10 de março de 2020. Disponível em: <http://www.bbc.com/travel/story/20200309-ogopogo-the-monster-lurking-in-okanagan-lake>. Acesso em 12 de maio de 2020.

   KIRBY, Molly Gibson. Kelowna's lake creature: a brief history of the Ogopogo. Kelowna Now, Canadá, 19 de maio de 2016. Disponível em: <https://www.kelownanow.com/watercooler/news/news/Kelowna/16/05/19/Kelowna_s_lake_creature_a_brief_history_of_the_Ogopogo/>. Acesso em 12 de maio de 2020.


   https://ogopogoquest.com/ogopogo-legend.php

O Mundo dos Espíritos - Folclore do Povo Chippewa, Canadá

Author: Luiza / Marcadores: , , , , ,


   Havia vários dias que o curandeiro se desesperava, afundado em sua dor: sua única filha acabava de morrer e, por isso, a existência ficara insuportável para ele. reuniu todos os amigos e lhes participou que desejava ir se reunir à filha no mundo dos Espíritos. Cinco homens se ofereceram para acompanhá-lo. No entanto, não conheciam a estrada que levava àquele país longínquo. Primeiro tinham de encontrar Winabojo, o único que poderia lhes indicar o caminho.
   Winabojo era um Manitu dotado de poderes extraordinários. Antigamente, já havia viajado pela Terra, realizando inúmeras proezas. Agora, já havia muitas luas que, sentindo que estava envelhecendo, resolvera se retirar para longe dos olhares dos homens. Mas para onde? Esse era um novo problema! O curandeiro foi até o túmulo de seus ancestrais. Invocou seus espíritos, que não demoraram a lhe responder: Winabojo estava morando numa ilha, situada na direção do sol nascente. E lá ficaria, enquanto os rios corressem e o capim fosse verde. Satisfeito com essa resposta, o curandeiro reuniu seus companheiros e partiram todos.
   Lançando suas canoas no maior dos lagos, remaram vigorosamente. Após uma longa travessia, finalmente desembarcaram na ilha que buscavam. Lá estava Winabojo. Sua altura e robustez eram impressionantes. Estava perfeitamente imóvel. Sobre sua cabeça crescia um cedro magnífico que lhe servia de cabeleira - as raízes cobriam suas costas perfeitamente e rodeavam todo o seu corpo. Após cumprimentá-lo respeitosamente, os seis homens explicaram o que desejavam. Winabojo lhes indicou o caminho do país dos Espíritos, e os advertiu sobre os perigos que iam enfrentar:
  - Aqui estão os colares contra as serpentes. Vocês devem usá-los. Não os retirem, a pretexto de nada. Quando estiverem entre os espíritos, não demorem mais de quatro dias e quatro noites. De dia, os Espíritos não se mostram. Mas de noite, reunidos na maior das tendas, eles dançam. Juntem-se a eles, sentem-se entre eles. Quando a moça aparecer, seu pai deve agarrá-la, fechá-la num saco e guardá-la lá dentro com firmeza, até voltarem ao país dos homens. Boa sorte!


   O curandeiro e seus amigos agradeceram a Winabojo e seguiram seu caminho. Não tardaram a entrar no mundo Espíritos e a descobrir qual era a maior tenda de lá. Quando a noite caiu, os Espíritos entraram na tenda e nossos heróis se sentaram no meio deles. Passaram a noite toda assistindo à dança dos Espíritos, mas a moça não apareceu. Voltaram na noite seguinte. Apesar dos conselhos expressos de Winabojo, um dos índios tirou o colar que o protegia das serpentes. Na mesma hora, transformou-se em Espírito. Os sobreviventes continuaram a procurar a moça na multidão, mas não a encontraram. Aconteceu o mesmo na terceira noite. Só no decorrer da quarta noite, quando já estava quase amanhecendo, o pai reparou numa mulher com o rosto coberto. Pelo andar, reconheceu que era sua filha. Esperou que ela passasse perto dele, deu um salto e a agarrou. A jovem tentou escapar dos braços que a agarravam mas, ajudado pelos amigos, ele conseguiu metê-la num saco, que fechou hermeticamente. E já era hora de partir, pois vinha chegando o amanhecer e aquela estada não podia durar mais. Carregando seu fardo, os índios se afastaram de pressa.
   No caminho de volta, deram uma parada junto a Winabojo e este disse:
  - Toda noite vocês devem deixar o saco num lugar bem protegido. Cuidem para que fique bem amarrado. Em seguida, andem para trás, à distância de um grito, e instalem seu acampamento. Façam isso todas as vezes que o sol se puser, até chegarem em casa.
   Os índios respeitaram essas recomendações, o que lhes permitiu voltar à aldeia sem maiores problemas. O pai então construiu uma bela moradia e preparou lá dentro um lugar, de galhos de cedro, para depositar o saco. Depois saiu, e ficou lá fora esperando. Daí a pouco, ouviu a voz da filha chamando:
  - Pai, venha cá me soltar!
   Louco de esperança, o curandeiro correu para a cabana e soltou os nós com mãos febris. A jovem apareceu, bem viva e resplandecente de saúde. Graças ao amor paterno e com a ajuda de Winabojo, ela ressuscitara!







  * Manitu: entre os índios algonquinos, é uma espécie de força mágica pertencente não só aos seres vivos em geral, mas também aos fenômenos naturais. Algumas outras vezes, "Manitu" pode significar, também, uma entidade ou uma divindade segundo as crenças e religiões desses povos.

Sobre a tribo Chippewa

   São uma tribo de índios algonquinos, cujo nome provém de adaawe “comerciante” ou de ahtuhwuh. Originariamente viviam nas margens dos rios Ottawa e French, na baía Georgian, na orla setentrional do Lago Hurón e ao Norte de Michigan. Atualmente vivem em Ontário , Kansas, e Oklahoma.
São o terceiro maior grupo de nativos americanos nos Estados Unidos, superado apenas por Cherokee e Navajo.
Os Chippewa, são um importante grupo de nativos americanos, dividido igualmente entre os Estados Unidos e Canadá. O nome popular é uma modificação de Ojibwa, porém também se chamam Anishinabek, ou “homens originais”, e porque tinham a sua residência principal em Sault Sainte Marie, na saída do Lago Superior, os franceses os conheciam pelo nome de Saulteurs.
 Pertencem ao grande grupo dos algonquinos e estão relacionados com as tribos Ottawa e Cree. Vieram do leste, avançando ao longo da região dos Grandes Lagos, e tiveram sua primeira morada em Sault Sainte Marie e Shaugawaumikong (Chegoimegon francês) na costa sul do Lago Superior, perto da atual  Lapointe Bayfield, Wisconsin.




    Fonte: livro Índios da América do Norte - Mitos e Lendas, série dirigida por Gilles Ragache, texto de Alain Quesnel, tradução por Ana Maria Machado.