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Simbolismo Funerário: O significado das gravuras das lápides

Author: Luiza / Marcadores: , , ,

Para retratar aspectos da vida das pessoas que jazem abaixo das lápides, e as expectativas do que pode acontecer após a morte, alguns simbolismos são muito comuns nas tradições funerárias. Tiradas da revista online Atlas Obscura, aqui estão as explicações de alguns símbolos comuns:   


Crânio alado


  Popular especificamente nos séculos 17 e 18, o crânio voador simboliza o quanto o nosso tempo de vida “voa”depressa, e a alma plana para o além.


Ampulheta alada


  Seu significado é similar a do crânio alado, a ampulheta significa a rapidez com que o tempo passa - às vezes realmente parecendo voar com um par de asas.


Aperto de mãos


   A imagem de mãos é comum em sepulturas, seja apontando para cima, indicando o Paraíso, ou apontando para baixo, como uma mensagem divina para os que jazem abaixo da terra. Muitas vezes, é retratado o aperto de mãos simbolizando uma “última despedida”, especialmente se tratando de um casal, onde um é falecido e o outro continua no mundo dos vivos.


Pomba


  Esse símbolo é utilizado principalmente quando a sepultura é de uma mulher que morreu jovem, a pomba representa paz e pureza. Às vezes a pomba é retratada voando para cima, aos céus. Se a pomba for retratada caída, significa que a morte da pessoa foi súbita, quando ninguém esperava.


Tocha invertida


  Uma tocha de cabeça para baixo demonstra que a alma ainda está em chamas no Pós-Vida. 


Rosas


  O desabrochar de uma rosa simboliza a idade de uma moça no tempo de sua morte, seja em botão ou completamente desabrochada, e seu caule cheio de espinhos significa que a moça faleceu cedo demais. 



Tronco de árvore


   A figura de um tronco de árvore cortado simboliza uma vida ceifada muito cedo e de repente.


Trigo


  O trigo, assim como folhas de carvalho, simbolizam uma vida longa que foi colhida pela morte em seu tempo certo.


Cordeiro


Geralmente encontrado em sepulturas de crianças, o cordeiro simboliza a inocência, e pode muitas vezes se referir à Jesus - o Cordeiro de Deus.


Livro Aberto

  Representa o Livro da Vida, o amor de uma pessoa por literatura, ou uma referência à bíblia. Um livro aberto representa um coração humano aberto à Deus, assim como a vida de alguma pessoa ter sido registrada em livro.


Urna coberta

  Incrivelmente comum em cemitérios da Era Vitoriana, uma urna coberta representa a separação entre os vivos e os mortos, e uma mortalha protetora para a alma. É também uma inspiração clássica para simbolizar a morte.


Portões abertos

  Portas e portões abertos são símbolos da passagem para o Céu, a ida de um indivíduo do mundo dos vivos para o Além.




     Fonte:


  ENEMARK, Michelle; MEIER, Alisson C. A Graphic Guide to Cemetery Symbolism. Atlas Obscura, 2014. Disponível em <https://www.atlasobscura.com/articles/a-graphic-guide-to-cemetery-symbolism>. Acesso em: 27 de maio de 2020.

A Missa dos Mortos - Lenda da Região Central do Brasil

Author: Luiza / Marcadores: , , , , , , , ,




  De todas as coisas, porém, capazes de arrepiar cabelo, e que ouvi em minha infância ouro-pretana, nenhuma tão tremenda como a Missa dos Mortos, na Igreja das Mercês de Cima.
  Quem me contou é uma pessoa conhecida em toda a cidade de Ouro Preto, e exercia funções incompatíveis com o uso da falsidade em suas informações.
  Foi João Leite, o saudoso João Leite, pardo, miudinho, anguloso, sempre montado em seu cavalinho branco, minúscula montaria de hábitos austeros, que se contentava de viver da escassa relva do adro da Igreja.
  Seria possível que uma pessoa estimável e honesta como João Leite, sacristão de confiança de uma irmandade, zelador de um templo, tivesse coragem de depois pregar uma mentira envolvendo mortos respeitáveis, fosse tranquilamente dormir na sacristia, tendo ao lado um cemitério?
  Tenho dúvidas. João Leite era ele próprio uma figura mista, metade deste mundo, metade do outro.
  Suas origens eram misteriosas. Foi enjeitado, com horas de nascido, à porta da Santa Casa, em época que não se sabe. Não se sabe, ainda, quando começou a funcionar como sacristão das Mercês. As mais velhas pessoas da cidade já o conheciam desde criança, nesse mister, com a mesma cara, sempre com o mesmo cavalinho branco.
  Quando alguém indagava de João Leite suas origens ou o tempo que servia Nossa Senhora das Mercês, em sua Igreja, João Leite sorria e não respondia nada.
  Um belo dia, há alguns anos, foi encontrado morto diante do altar-mor, deitado no chão, com as mãos sobre o peito, arrumadinho como se estivesse dentro de um caixão. O cavalinho branco sumiu sem que dele ninguém desse notícias.
  Pois João Leite, segundo narrativa que lhe ouvi, já lá vão mais de trinta anos, assistiu a uma "Missa dos Mortos".
  Morando na sacristia do templo cuja conserva lhe era confiada, achava-se recolhido altas horas da noite, quando ouviu bulha* na capela.
  A noite era fria e João Leite estava com a cabeça coberta para esquentar-se melhor. Descobriu-a e abrindo os olhos viu claridade.
  Seriam ladrões? Mas a Igreja era pobre e qualquer ladrão, por mais estúpido que fosse, saberia que a Igreja das Mercês, sendo paupérrima, não dispunha de prataria, ou de qualquer outra coisa de valor mercantil. Enfim, poderia ser, raciocinou João Leite.
  Estava nessa dúvida quando ouviu sussurrando por vozes cavas em coro, o "Deus vos salve" do começo da ladainha.
  Ergueu-se e foi resolutamente pelo corredor até a porta que dá para a nave. A Igreja estava toda iluminada, altares, lustres; e completamente cheia de fiéis.
  No altar-mor, um sacerdote paramentado celebrava missa.
  João Leite estranhou a nuca do padre, muito branca, não se lembrando de calvície tão completa no clero de Ouro Preto.
  Os fiéis que enchiam a Igreja trajavam todos de preto, e entre eles alguns de cogulas*, e algumas senhoras com o hábito das Mercês; todos de cabeças baixas.
  Quando o Padre celebrante se voltou para dizer o Dominus Vobiscum, João Leite verificou que era uma simples caveira que ele tinha em lugar da cabeça.
  Assustou-se, e nesse momento reparando nos assistentes, agora de pé, viu que também eles não eram mais do que esqueletos vestidos.
   procurou logo afastar-se dali, e caminhando, deu com a porta que dava para o cemitério completamente escancarada.
  O melhor que tinha a fazer, fez. Recolheu-se à cama, cobriu a cabeça, transido de medo, e ficou quietinho ouvindo o sussuro das vozes orando, o tinir da campainha na "Consagração" e no "Domine nom sum dignus", até que voltou de novo o pesado silêncio das frias noites de Vila Rica.




  Vocabulário:
  *Bulha: ruído ou gritaria de uma ou mais pessoas; efeito de sons baralhados; confusão sonora.
*Cogula: túnica de mangas largas e compridas e capuz usada pelos religiosos de algumas ordens; parte do hábito monástico que cobre a cabeça e cai sobre as espáduas.


Notas:
Augusto de Lima Júnior. Histórias e Lendas, pp. 154-156, Rio de Janeiro, 1935. Lenda tradicionalíssima em todo Brasil. O registro transcrito indica como se tendo passado na igreja de Nossa Senhora das Mercês, de Cima, em Ouro Preto, Minas Gerais.


  Fonte: livro Lendas Brasileiras, de Luís da Câmara Cascudo

Casa dos Ossos de Hallstatt

Author: Luiza / Marcadores: , , , , ,


  Localizada entre florestas montanhosas e um lago, fica a cidade de Hallstatt, na Áustria, onde a principal atração turística é a Casa dos Ossos, que fica nas catacumbas da Igreja de Saint Michael. O lugar é repleto de crânios e outros ossos expostos em prateleiras de madeira.

  Nos países da Europa há vários lugares onde são expostos ossos humanos, porém na Casa de Ossos de Hallstatt, os crânios são decorados a mão! Geralmente desenhados pelos coveiros á pedido de familiares, os crânios são repletos de desenhos e escritos, ás vezes informando o nome, profissão e data de morte do falecido. Muitos tem o desenho da cruz de malta, coroas de flores para as mulheres e meninas e coroas de diversas ervas para homens e meninos. Os desenhos são lindas homenagens para os mortos, e seu significado é equivalente á deixar flores nos túmulos.


  Apesar da linda paisagem, a localização geográfica da cidade tornava difícil enterrar os mortos. No século XVIII, como a cremação foi proibida, após 10 ou 15 anos depois de enterrados, os corpos eram exumados e seus ossos empilhados em um certo local, para dar mais espaços para enterrar os que haviam morrido recentemente. Expostos á luz do sol e da lua, os ossos começavam a branquear, por isso, construíram um lugar subterrâneo para depositar esses ossos.

  Várias famílias e comunidades passaram a depositar ossos naquele lugar, e para homenagear seus entes queridos, ao invés de deixar flores, acharam mais viável decorar os crânios. Essa tradição data de 1720 até 1995, quando os últimos ossos foram depositados lá antes do lugar ficar super lotado, a pedido do próprio falecido. Hoje em dia não há mais espaço para depositar mais ossos lá, já que no local há aproximadamente 700 crânios decorados, e são uma das principais atrações turísticas da cidade.

Cidade de Hallstatt

  O lugar é bem estreito e iluminado apenas por luzes de velas e a luz do sol escassa que passa pelas poucas frestas do teto.


Fonte: http://theparanormalguide.tumblr.com/post/109363848093/hallstatt-bone-house-macabre-places-nestled#notes
http://www.hallstattaustria.net/the-painted-skulls-of-hallstatt/
http://dachstein.salzkammergut.at/en/austria/poi/400341/bone-house-in-the-michaelschapel.html
http://strangeremains.com/2014/01/20/the-painted-skulls-of-the-bone-house-in-hallstatt-austria/

Poltergeist do Cemitério Greyfriars

Author: Luiza / Marcadores: , , , , , ,


  Desde 1998, após um morador de rua arrombar as portas do mausoléu onde fica o túmulo do Sir. George Mackenzie em busca de abrigo em meio a uma tempestade, fenômenos paranormais têm sido reportados por visitantes no cemitério Greyfriars de Edimburgo, na Escócia, e se tornou um dos poltergeists mais bem documentados do mundo.
  Entre 1999 e 2006 foram reportados 350 ataques e 170 casos de pessoas que desmaiaram perto do mausoléu de Mackenzie. Esses ataques ocorreram com visitantes do local que alegaram encontrar cortes, feridas e machucados diversos pelo corpo, além de serem empurrados fortemente por forças estranhas. O problema mais comum são casos de pessoas que alegaram sofrer "apagões", tendo a visão escurecida por um curto período de tempo, ao passarem perto do local.
  No ano de 2000, o exorcista Colin Grant foi chamado para resolver esse problema. Ele disse que se deparou com fortes forças malignas, temendo até ser morto por elas. Poucos dias depois ele morreu de ataque cardíaco. Desde então o Concelho da cidade de Edimburgo isolou a parte do cemitério que contém o mausoléu de Mackenzie. Hoje em dia apenas historiadores são autorizados a ter acesso ao local, e visitantes são permitidos apenas em alguns períodos do ano.

  Aliás, quem foi esse tal de Sir George Mackenzie?


  Foi um advogado, nascido na Escócia, que viveu no século 17. Seu apelido era Bloody George (George Sangrento), referente á sua perseguição desumana e sem piedade ao grupo de presbiterianos conhecidos como "Covenanters", que eram contra á vontade do Rei, que os impedia de mudar da religião católica para o protestantismo presbiteriano. 
  Em 1679, cerca de 1200 presbiterianos foram presos. Foram submetidos á condições desumanas, tendo que suportar meses de invernos rigorosos sem abrigos decentes e com muito pouca comida. Muitos morreram por causa dos maus tratos, e os que não morreram foram executados ou vendidos como escravos. A única maneira de se salvarem era alegando total obediência e submissão ao Rei, coisa que eles se recusavam a fazer.
  Ironicamente, esses prisioneiros que morreram no local de Greyfriars foram sepultados próximo ao túmulo de seu executor Sir George Mackenzie.


Sepulturas em forma de casinhas de bonecas

Author: Luiza / Marcadores: , , , , , ,

Essas sepulturas são adoráveis, mas ao mesmo tempo trazem á memória lembranças pesarosas de adoráveis meninas pequenas que faleceram, deixando saudade nos corações de seus parentes, que para sempre se lembrariam do amor que em vida dedicaram á essas doces e inocentes almas.
Nessas casinhas de bonecas foram sepultadas crianças pequenas, as quais os pais estimavam muito e decidiram mandar construir casinhas decoradas com brinquedos e objetos pertencentes ás crianças.
Apesar de terem sofrido vandalismo ao decorrer dos anos, as casinhas continuam sendo mantidas e restauradas quando necessário.

Dorothy Marie Harvey (1926-1931): sua família na época estava passando pela cidade de Medina, no Tennessee, em direção ao Norte á procura de emprego, quando Dorothy contraiu sarampo e faleceu. As pessoas da cidade ajudaram sua família a enterrá-la, em Hope Hill Cemetery. Seus pais decidiram construir a casa de bonecas em sua memória. Depois eles a deixaram lá e seguiram seu caminho.


A lápide da casinha

Lendas locais dizem que ás vezes as pessoas podem ver Dorothy se olharem dentro de sua casinha.


Vivian Mae Allison (1894-1899):




A casa de bonecas de Vivian Mae Allison está localizada no cemitério da cidade de Connersville, Indiana.

Lova Cline (1902-1908):



Lápide da família Cline: Lova e seus pais

A casa de bonecas de Lova Cline está localizada no Cemitério Arlington East Hill, na cidade de Arlington, em Indiana.

Nadine Earles (1929-1933):





A casa de bonecas de Nadine Earles está localizada no cemitério de Oakwood, na cidade de Lanett, no Alabama.
A história diz que Nadine queria uma casinha de bonecas de presente de Natal, porém faleceu antes do feriado. Seus pais então construíram a casinha ao redor de seu túmulo e decoraram com seus brinquedos favoritos e objetos pessoais.
Eis aqui um vídeo mostrando a casinha de Nadine por dentro e por fora, em vários ângulos: https://www.youtube.com/watch?v=xgMVJeH8GGY