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Os Gigantes de Pedra - Mitologia Inca

Author: Luiza / Marcadores: , , , , ,

Apukunaq Tianan. Cusco, Peru.


   Antes  mesmo de o mundo existir, vivia Viracocha, o deus que criou a primeira terra. Não havia sol, nem lua, nem estrelas. Viracocha havia esculpido e pintado uns gigantes mas, no momento de lhes dar vida, hesitara muito em povoar a terra com homens maiores que ele. Destruiu então todos os gigantes e recomeçou seu trabalho, tendo cuidado de só esculpir homens que tivessem, no máximo, o seu tamanho. Depois, lhes deu vida. Em seguida, os reuniu e disse:
  - O principal é que não me esqueçam, mas me adorem até o final dos tempos. Sejam honestos, trabalhadores e bons. Senão, eu destruirei vocês todos!
   Durante algum tempo, os homens obedeceram às ordens de Viracocha, mas aos poucos foram se esquecendo de tudo. Até mesmo da existência do deus!
   Viracocha então ficou furioso. Não aguentava ver os homens se portando assim tão mal. Cumpriu então sua maldição: alguns foram transformados em pedra, outros foram engolidos pela terra. Finalmente, para apagar qualquer vestígio daquela vida maldita, desencadeou um dilúvio geral que afogou todos os que sobraram. Viracocha só guardou três criados, para ajudá-lo a recriar o mundo.
   Quando a terra secou totalmente, ele começou a trabalhar. Resolveu criar primeiro a luz, para que os homens não passassem a vida toda na noite absoluta. Para isso, foi até a margem de um lago imenso, que mais tarde seria chamado de Titicaca. Com um gesto, fez aparecer o sol, a lua e as estrelas. O sol era resplandescente mas, quando viu a lua subir no céu e brilhar mais do que ele, fico com ciúmes e jogou um monte de cinzas na cara dela. Por isso é que ela ficou menos brilhante e marcada de manchas cinzentas.
   Um dos três criados de Viracocha era mito desobediente, deixando o deus muito zangado. Como ele queria que o mundo fosse perfeito, não podia tolerar erros. Preferiu, então, livrar-se do criado. Com a ajuda dos outros dois, amarrou os pés e mãos dele, colocou-o sobre uma balsa e o abandonou no meio do lago. Em seguida, voltou para a margem com seus dois servidores fiéis e partiu para Tiahuanaco.
   Assim que chegaram, começaram a trabalhar. Viracocha era de uma exigência insuportável. Suas ordens eram estritas e precisas, e ele estava sempre atento para que fossem cumpridas literalmente, nos menores detalhes.
   Em pedra, ele esculpiu os diferentes tipos de homens que iam povoar esse novo mundo. Em seguida, deu-lhes uma alma e ordenou que se espalhassem em todas as direções e escolhessem as regiões em que queriam morar.




   Os homens que viram Viracocha contam que ele é branco, veste uma túnica branca com uma faixa na cintura e segura nas mãos um bastão comprido e um livro.
   Quando terminou sua obra, Viracocha se pôs a caminho para visitar a terra e ver como se comportavam os novos homens. Chegou assim a Cacha, mas os habitantes não o reconheceram. Pior ainda, vendo que era tão diferente deles, tentaram matá-lo. Ninguém na aldeia tinha a pele daquela cor, nem aquelas roupas, nem aqueles objetos nas mãos... já tinham se esquecido dele! Então Viracocha se ajoelhou e levantou o rosto para o céu. Um fogo violento escorreu pelas encostas da colina e incendiou toda a aldeia. Até as pedras queimaram como se fossem de palha. Então todos os índios, assustados, o reconheceram. Correram para ele implorando sua misericórdia, fizeram sacrifícios a seus pés e juraram adorá-lo até o fim do mundo.
   Viracocha teve pena deles e deteve o incêndio com seu bastão. Para que os homens não esquecessem esse momento, deixou que uma das colinas queimasse durante muito tempo. As enormes pedras que lá existiam arderam nas chamas durante vários dias. Quando o incêndio se extinguiu, elas tinham se tornado tão leves que um homem sozinho era capaz de levantá-las, enquanto antes eram necessários muitos apenas para deslocá-las um pouquinho! Durante muito tempo os homens levaram oferendas para Viracocha, deixando-as sobre essas pedras estranhas.
   Depois, Viracocha retomou seu caminho em direção ao oceano, para ir se encontrar com seus criados. Também eles já tinham cumprido suas tarefas, e vários dias que o esperavam.
   Viram quando ele chegou, cercado de homens e mulheres que o haviam seguido até a praia, para ouvir suas últimas palavras.
   E ele lhes disse que ia partir para sempre, mas enviaria um mensageiro divino para velar por eles e lhes ensonar tudo o que necessitavam saber. Depois virou-se, avançou par ao oceano e desapareceu no horizonte, caminhando sobre a água. Pouco a pouco, foi se confundindo com a espuma das ondas. Por isso é que os índios o chamam de Viracocha, que quer dizer "espuma do mar". E durante muito tempo, esperaram naquela praia que aparecesse o mensageiro de Viracocha.

   Viracocha, o deus mais importante do panteão Inca, representa ao mesmo tempo o deus criador e o herói civilizador. Muitas vezes se faz acompanhar de um herói "transformador", que completa sua obra e ensina aos homens os rudimentos da civilização.




   Fonte: livro Os Incas - Mitos e Lendas, de Danièle Küss e Jean Torton. Tradução de Ana Maria Machado

A Constelação da Lhama - Lenda Inca

Author: Luiza / Marcadores: , , , , , , , ,


  Chegara a noite. Sentado debaixo de uma árvore, o jovem índio recordava, meio dormindo, tudo o que sabia sobre Yacana. Os anciãos lhe haviam ensinado que era uma espécie de "duplo celestial" da lhama, que de noite descia à terra para comer e beber, mas que ninguém conseguia vê-la, porque só andava no fundo dos rios. Os grandes sacerdotes contavam que Yacana era enorme e que seus olhos imensos brilhavam mais que as outras estrelas do céu. Seu pelo era branco e sedoso e, quando voava de volta ao céu, o vento que a acompanhava assoviava como os passarinhos azuis da floresta.
  O jovem índio pensava nisso tudo quando, de repente, foi ofuscado por um clarão azulado. Pouco a pouco, a luz foi tomando a forma de uma lhama e pousou na terra, a pequena distância de onde ele estava, junto a uma fonte. Era tão parecida com todas as descrições de Yacana que já tinha ouvido, que o índio a reconheceu imediatamente. Primeiro, quis se aproximar e falar com ela, de tão feliz que ficou por encontrá-la. Mas teve medo e se encolheu, sem se mexer mais, para não ser percebido, e ficou olhando, com a respiração suspensa. A lhama sagrada bebeu água da fonte. De repente, o rapaz sentiu que caía sobre ele uma chuva de lã macia, como se alguém estivesse tosquiando um rebanho de lhamas. Mas como ele estava com medo de Yacana, não se mexeu, não saiu do esconderijo e esperou o dia clarear. Quando acordou, a lhama tinha desaparecido. Na certa voltara para o céu enquanto ele estava de olhos fechados. Entretanto, a lã que ele sentira cair enquanto Yacana bebia a água da fonte ainda estava lá. Eram centenas de chumaços, de todas as cores! Ele nem acreditava nos seus olhos. Para alguém tão pobre como ele, que não possuía uma única lhama, aquela era a oportunidade da sua vida!
  Louco de alegria, correu até junto da fonte. Disse a ela que ia venerá-la até o fim de seus dias, e que, da mesma forma, ia adorar a constelação da lhama por toda a vida. Prometeu que voltaria todos os meses para oferecer o sacrifício de uma lhama jovem. Depois, recolheu toda aquela lã miraculosa e foi vendê-la na cidade.
  Os índios nunca tinham visto cores tão luminosas. Todo o mundo queria comprar as lãs. Ele vendeu tudo e, com o dinheiro, comprou um casal de lhamas que, como se fosse mágica, lhe deu mais duas mil lhamas em um ano. E ele logo ficou famoso em toda a montanha.
  Desde esse dia, os índios vão com frequência para perto da fonte sagrada, à espera de Yacana. Parece que ela desce à terra todas as noites, à meia-noite, e que bebe muita água. Os índios dizem que é por isso que não há mais dilúvios, porque com toda a água que os rios jogam no mar sem parar, se a constelação da lhama não viesse beber muito todas as noites, o mar já teria transbordado há muito tempo e engolido mais uma vez todas as aldeias...
  Yacana tem filhos. É impossível vê-los brilhando perto dela, mas são estrelas menores. bem perto delas cintilam três grandes estrelas, que também são veneradas. Quando se pode vê-las com  nitidez, é sinal de que os frutos ficarão perfeitamente maduros. Mas quando mal dá para vê-las, é porque as colheitas não vão ser boas. Então os índios vão até a fonte e lhe fazem oferendas de conchas, cantando:

 - Ó tu, que dás origem à água e que há tantos séculos regas nossos campos, faze a mesma coisa este ano e traze chuva para que a colheita seja boa.

  Yacana nunca mais voltou para junto dessa fonte. Parece que ela nunca bebe duas vezes no mesmo lugar. No entanto, desde esse dia, perto da fonte, quando o dia nasce, ouve-se o vento assoviar como os passarinhos azuis da floresta.

  As Estrelas

  As estrelas eram consideradas moradas dos espíritos e eram objeto de uma verdadeira veneração. Os índios não prestavam culto aos próprios astros, mas aos espíritos ancestrais que neles habitavam.
  No ritual da religião inca, certos animais eram oferecidos aos deuses, fosse para lhes dar mais força, fosse para conjurar influências maléficas.
  Os incas só sacrificavam animais domésticos, pois tudo aquilo que fosse dado para obter saúde e felicidade para os homens deveria ter sido adquirido por meio do trabalho. Para os incas, existia uma estreita relação não apenas entre aquele que faia o sacrifício e o animal sacrificado, mas também entre este e a divindade a quem era ofertado. na verdade, os índios supunham que havia um parentesco misterioso entre eles e os animais que haviam domesticado e que depois matavam para uma cerimônia religiosa. Acreditavam que as almas dos mortos se reencarnavam neles. E também pensavam que eles podiam predizer o futuro. E entre os animais sagrados, o favorito era a lhama.





Fonte: livro Os Incas, Mitos e Lendas, de Danièle Küss e Jean Torton

A Criação de Cuzco - Lenda Inca

Author: Luiza / Marcadores: , , , , , , , ,

 

  Ayar Manco e Mama Ocllo tinham suspirado de alívio, quando viram a varinha de ouro afundar na terra de Cuzco, como se fosse na água. A viagem os deixara exaustos e estavam bem contentes de, finalmente, chegarem a seu destino.
  Mas, depois de descansarem um pouco, começaram a trabalhar. Com os índios que os acompanharam, principiaram a construção dos edifícios da futura capital do mundo Inca.
  Infelizmente, tudo o que construíam também afundava. E soprava no lugar um vento violento, que destruía tudo por onde passava.
  Que fazer? Mesmo as maiores pedras, que traziam com tanto esforço, voavam como se fossem galhos de árvore.
  De repente, Ayar Manco teve uma ideia: preciso capturar o vento e prendê-lo no curral das lhamas. Graças a um hábil estratagema, acabou conseguindo fazer isso e finalmente os trabalhos puderam começar.
  Ayar Manco e sua irmã acabavam de terminar o templo, quando surgiu seu irmão Ayar Ucho, que vivia na planície:
 - Que foi que você veio fazer aqui? - perguntou Ayar Manco. - Não é você que detesta a montanha?
 - Detesto - confirmou Ayar Ucho -, mas não aguento mais ouvir esses gemidos lúgubres, dia e noite. Quem foi que você prendeu nesse curral?
 - O vento - respondeu Ayar Manco , nervoso. - Ele não estava deixando que construíssemos a cidade que nosso pai, o Sol, nos mandou fundar aqui. Fui obrigado a prendê-lo, para conseguir trabalhar.
 - Você não tem o direito de maltratar dessa maneira o meu amigo vento! - gritou  Ayar Ucho, enfurecido. - Vou lhe dar um dia para acabar de construir essa sua cidade. Descerei de volta para a planície, mas esta noite, quando o sol se deitar, subirei de novo para soltar o coitado.

Ayar Ucho

  Ayar Manco ficou sem fala. Jamais conseguiria construir em um único dia a cidade com que tanto sonhara! Era impossível. Desesperada, sua irmã não conseguia prender o choro. Mas de repente Ayar Manco teve uma ideia. Chamou o maior de seus criados, apra acompanhá-lo ao alto da montanha. Lá, esperaram pacientemente que o Sol passasse bem ao lado deles e o agarraram de surpresa.
  Bem que ele tentou escapar, mas não houve jeito. Teve que se conformar e ficar amarrado num imenso bloco de pedra.
  Como Ayar Manco tinha imobilizado o Sol provisoriamente, o dia não terminava e ele pôde acabar de construir a cidade.
  Quando terminou de colocar a última pedra, verificou todas as construções para ver se estavam bem sólidas e libertou o Sol e o vento. Este se fastou a toda velocidade, com medo de ser apanhado de novo. Mas, para proteger sua cidade, se acaso ele resolvesse voltar, Ayar Manco criou montnhas bem altas em volta dela.
  Depois, casou-se com sua irmã Mama Occlo para fundar a primeira dinastia Inca e tomou o nome de Manco Capac.

  Sobre a cidade de Cuzco, em Peru
   
  Cuzco era o centro político e religioso do antigo império Inca. Pelo número de casas, ruas e mercados, era igual a muitas grandes cidades medievais europeias, suas contemporâneas. Antes da conquista espanhola, os peruanos comparavam sua cidade a um puma; o animal sagrado que adoravam devido a sua força: a cidade em si era o corpo e a fortaleza de Sacsahuaman era a cabeça. Estava dividida em duas partes: a parte alta (Hanan Cuzco) e a baixa (Hurin Cuzco), aparentemente a mais antiga, onde Manco Capac se instalou com seus companheiros e construiu o templo do Sol.
  De cada lado de dois riachos, para leste e para oeste, foi construída mais tarde uma série de casas modestas, de tijolos secos ao sol.
  Em seu apogeu, a cidade devia ter cerca de duzentos mil habitantes. Mas nos dias de mercado ou de grandes festas religiosas, esse número era ainda muito maior, e excepcional para a época.
  Em 1533, quando o espanhol Pizarro e seus soldados tomaram Cuzco, a cidade foi vítima de um vandalismo difícil de se imaginar. Mais tarde, aventureiros em busca de tesouros arqueológicos prosseguiram essa obra de destruição.


Lhamas pastando em Machu Pichu, na cidade de Cuzco, no Peru

    Fonte:

    KÜSS, Danièle; TORTON, Jean. Os Incas - Mitos e Lendas. São Paulo: Editora Ática, 1997.

Os Primeiros Incas - Lenda Latino-Americana

Author: Luiza / Marcadores: , , , , , , , , , , , , , ,


  Antes do aparecimento dos incas sobre a Terra, toda essa região era feita apenas de altas montanhas cobertas de mato. Ali viviam homens que mais pareciam bestas ferozes, sem religião nem justiça, sem aldeias nem casas. Não sabiam cultivar plantas, nem se vestir, nem cozinhar. Abrigavam-se em cavernas e comiam raízes, frutas e carne crua. Nada os distinguia dos animais entre os quais viviam.
 Um dia, seu Criador, o Sol, teve pena deles. Resolveu lhes enviar dois de seus filhos, um homem e uma mulher, Ayar Manco e Mama Ocllo, para lhes ensinar a civilização. Chamou-os uma noite ao seu trono e disse:

 - Amanhã vocês vão descer até a Terra, bem cedo, para construir um novo Império. Ensinarão nossa grande civilização a esses selvagens que vivem como se fossem bichos. Com vocês, eles aprenderão a domesticar os animais que lhes permitirão ter o que comer e com que se vestir decentemente. Vocês lhes mostrarão como podem cultivar as plantas, tecer a lã, tingi-la, fabricar ferramentas e jóias. Explicarão a eles as principais regras da vida civilizada - em família e na aldeia. Sobretudo, não se esqueçam de lhes dizer que eu sou seu deus, criador e benfeitor deles, e que nunca devem deixar de me adorar. Mas, antes de tudo, vocês devem fundar uma capital. Nela, construam um templo para mim. E desse templo é que vocês partirão, para o norte e para o sul, a fim de conquistar o império.

  Ayar Manco e Mama Ocllo ouviram atentamente as palavras de seu pai. Logo se entusiasmaram com sua missão e lhe perguntaram onde deveriam fundar a capital do futuro Império Inca.

 - Peguem esta varinha de ouro - respondeu ele, solene. - Primeiro vocês vão encontrar um grande lago. Em seguida, vão caminhar para o norte. Cada vez que tiverem de parar, a fim de comer ou dormir, tentem enterrar a varinha no solo. Onde ela entrar sem nenhum esforço, é o lugar onde vocês devem fundar Cuzco e de onde governarão o novo Império do Sol.

  No dia seguinte, de amanhã, Ayar Manco e Mama Ocllo chegaram ao lago Titicaca, no momento exato em que o Sol surgia no horizonte. Suas jóias suntuosas brilhavam como estrelas de ouro. Seus trajes riquíssimos contrastavam de tal maneira com a aridez da paisagem em volta e com a pobreza dos homens que os olhavam, agachados atrás de umas moitas, que estes logo compreenderam que estavam diante de deuses. Só não sabiam é se deviam temê-los ou confiar neles. Resolveram então segui-los, escondidos, para ver o que tinham vindo fazer na Terra.
  Ayar Manco e Mama Ocllo logo se puseram a caminho do norte. Tinham pressa de cumprir a missão maravilhosa que o pai lhes confiara.
  Passaram-se os dias. A estrada parecia interminável, mas eles não tinham o direito de parar, já que a varinha de ouro nunca se enfiava no solo. Certa manhã, no entanto, o milagre se realizou. Haviam chegado a um belíssimo vale, cercado de montanhas majestosa, em um lugar que mais tarde se chamaria Huanacauri. Nesse dia, o sol brilhava de uma forma especial. O irmão e a irmã fizeram uma nova tentativa e, para sua surpresa, viram a varinha penetrar na terra sem nenhuma dificuldade!
  O primeiro Inca, então disse à irmã:

 - É aqui que o Sol, nosso pai, deseja que façamos sua vontade. Veja todos esses selvagens a nosso redor, nos observando. Vamos até eles, dar-lhes a boa notícia. Depois, eu vou para o norte e você para o sul. E daqui a pouco tempo, nos encontraremos aqui outra vez, para construirmos os primeiros edifícios de nosso reino.

  Em volta deles, apinhavam-se dezena de homens e mulheres. Sujos e vestidos de peles de animais, usavam longos cabelos caídos na cara e nas costas, e só se comunicavam por gestos e gritos. Ficaram muito tempo olhando Ayar Manco e Mama Occlo. Tinham mais espanto do que medo e ficaram longamente ouvindo esses estranhos que não pareciam com nada do que conheciam: língua, roupas, jóias, tudo lhes era desconhecido. Mas, milagrosamente, compreendiam tudo o que diziam a filha e o filho do Sol. Logo adquiriram confiança neles e os seguiram, para ajudar a construir aquele mundo melhor que os dois descreviam tão bem.
  Em poucos dias, centenas de homens e mulheres tinham se juntando a Ayar Manco e Mama Occlo. E logo foram milhões.

Notas:
  •  Em um século, o Império Inca se estendeu por mais de um milhão de quilômetros quadrados (duas vezes o tamanho da França) e era povoado por cerca de doze milhões de habitantes (no começo do século XVI, no reinado de Huayna Càpac).
  • Cuzco, que significa "umbigo do mundo" em quíchua, é uma cidade do Peru, onde a administração política e o centro das forças armadas do Império Inca ficavam localizados.
  • Os países Latino-Americanos nos quais os Incas dominaram são Peru, Equador, sul e oeste da Bolívia, noroeste da Argentina, norte do Chile e sul da Colômbia.

Machu Pichu, em Cuzco, Peru.

Fonte do texto: livro Os Incas, Mitos e Lendas, de Danièle Küss e Jean Torton