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Brahma, o Deus Criador - Mitologia Hindu

Author: Luiza / Marcadores: , , , , ,



  Brahma é o deus criador, conhecido originalmente como Prajapati (प्रजापति em sânscrito). Ele é o primogênito, pai dos deuses, humanos e demônios, quem os ensina sobre a natureza pura e a virtude.  Tem como "veículo" um pavão, um cisne, ou um ganso. Foi quem revelou o Vedas¹ á humanidade. Em alguns escritos hindus, como o Mahabharata, Brahma é o supremo na tríade dos maiores deuses hindus, a qual inclui Shiva e Vishnu.
  Também possui vários outros nomes, como por exemplo: Hiraṇyagarbha ( हिरण्यगर्भ ), que significa "embrião cósmico"; Vidhi ( विधि ), "o ordenador"; e Vishvakarman ( विश्वकर्मा ) "criador do universo".

  Nos tempos da Criação, Brahma emergiu das águas primais como o primeiro ser consciente (o primeiro "ego") surgindo de dentro do ovo cósmico dourado. É chamado de Swayambhu (स्वयम्भू em sânscrito) porque de fato nada nem ninguém o criou, ele criou a si mesmo. Após sair do ovo, Brahma criou de dentro de si mesmo o bem, o mal, a luz e as trevas. Depois criou os deuses, os demônios, os humanos, e todas as criaturas viventes.

No processo de criação, talvez em um momento de distração, os demônios nasceram de uma de suas coxas, então Brahma abandonou seu próprio corpo, o qual virou a Noite. Após criar os deuses bons, Brahma abandonou seu corpo novamente, o qual virou o Dia. Consequentemente, os demônios ganharam ascendência na Noite, e os deuses, que são as forças do bem, governaram o Dia. Brahma então criou os seres humanos, abandonando seu corpo novamente, para que se tornasse o escurecer e o alvorecer, e depois colocou o deus Shiva para governar a humanidade.
Os seguidores do Vaishnavismo², ao contrário dos demais, acreditam que Brahma teria nascido da flor de lótus que saltou do umbigo do deus Vishnu.

Devido ao seu elevado status, é o deus menos envolvido em mitos pictóricos, nos quais deuses assumem formas e atributos humanos, é geralmente retratado como um ideal abstrato ou metafísico de um grande deus. Em um texto antigo em sânscrito, o Puranas, esse fato é explicado por Brahma já não ser mais adorado e outros deuses acabarem por ser atribuídos a seus mitos e lendas, porém mesmo assim ele continuou mantendo seu status de deus criador.

Ele ainda hoje é honrado com uma cerimônia anual no local de peregrinação de Pushkar, em Rajasthan, na Índia. E continua sendo uma figura popular no sudeste da Ásia, principalmente na Tailândia e em Bali.

  ¹ texto em sânscrito, que contém as quatro escrituras, Rg, Yajur, Sama e Atharva-Vedas, descrevem os elaborados rituais e mantras usados na religião do povo indiano nos tempos védicos.

  ² tradição hindu que se distigue das outras pela sua adoração ao deus Vishnu.






Fonte: http://www.hinduwebsite.com/hinduism/brahma.asp
       http://www.ancient.eu/Brahma/
       http://www.hinduwebsite.com/hinduism/pantheon.asp
       https://www.vedantaonline.org/o-que-sao-os-vedas-qual-a-origem-dos-vedas/
       http://giridhari.com.br/o-que-sao-os-vedas/

Kali - Mitologia Hindu

Author: Luiza / Marcadores: , , , , , , ,

 

    Kali, Kali Ma (काली मां) ou Kālikā (कालिका), nascida da testa da deusa Durga durante uma de suas batalhas contra as forças do mal, é uma das deusas mais conhecidas e adoradas do Panteão Hindu. Seu nome é derivado de uma palavra em Hindu que significa "tempo", e ao mesmo tempo "negro". No Hinduísmo é a manifestação da Mãe Divina, que representa o princípio feminino.
  Conhecida como "Mãe Negra", é a deusa da criação, preservação e destruição, porém ela só destrói para recriar, e com isso ela destrói o pecado, a ignorância e a decadência. Ela é comparada á luz eterna, é o transcendente poder do tempo, e a consorte do deus Shiva. Dizem que é Shiva quem destrói, e Kali é o poder e a energia na qual ele age.
   Tanto Shiva como Kali costumam habitar os locais de cremação, e seus devotos costumam ir até esses lugares para meditar, porém não é "adoração á morte", mas sim para reforçar a consciência de que a vida é passageira, e nossa estadia em nossos corpos não durará para sempre. Shiva e Kali habitam nesse lugares porque sabem que o apego ao próprio corpo é o que alimenta nosso ego, e ambos oferecem libertação a partir do momento que a ilusão do ego é destruída.
   Dizem que Kali aparece em sua forma monstruosa e temível para aqueles que são apegados a seu próprio ego, mas aparece em sua forma doce e bela para aqueles que possuem a alma madura, e se empenham em praticar sua espiritualidade para se livrar do próprio ego.
   Kali é representada tendo quatro braços; três olhos, que representam o passado, o presente, e o futuro; a pele negra ou azul escuro; olhos vermelhos; a língua protuberante para fora, que representa sua natureza onívora; usando uma guirlanda de 50 crânios, representando as 50 letras do alfabeto Sânscrito, que simboliza a sabedoria infinita; e uma saia de braços decepados, que representa o desapego com o próprio corpo e o apego com a espiritualidade. Traz consigo uma espada em uma mão, e em outra, uma cabeça de demônio recém-decepada pingando sangue, que segundo a história, representa a grande batalha na qual ela destruiu o demônio Raktabija. As outras duas mãos abençoam seus adoradores com um gesto de "não temam!". Um de seus pés fica pousado sob o peito de Shiva (que representa o fato de que sem ela, Shiva é inerte),  e o outro sob sua coxa (ou no chão, ás vezes).
   É uma das poucas deusas do Hinduísmo que pratica o celibato, a austeridade e renunciação. Seu aspecto negro simboliza sua vasta e transcendental natureza.



      Fonte:

       http://hinduism.about.com/od/hindugoddesses/a/makali.htm
       http://www.goddess.ws/kali.html
       http://www.dollsofindia.com/library/kali/
       http://www.themystica.com/mythical-folk/articles/kali_ma.html

Os Gigantes de Pedra - Mitologia Inca

Author: Luiza / Marcadores: , , , , ,

Apukunaq Tianan. Cusco, Peru.


   Antes  mesmo de o mundo existir, vivia Viracocha, o deus que criou a primeira terra. Não havia sol, nem lua, nem estrelas. Viracocha havia esculpido e pintado uns gigantes mas, no momento de lhes dar vida, hesitara muito em povoar a terra com homens maiores que ele. Destruiu então todos os gigantes e recomeçou seu trabalho, tendo cuidado de só esculpir homens que tivessem, no máximo, o seu tamanho. Depois, lhes deu vida. Em seguida, os reuniu e disse:
  - O principal é que não me esqueçam, mas me adorem até o final dos tempos. Sejam honestos, trabalhadores e bons. Senão, eu destruirei vocês todos!
   Durante algum tempo, os homens obedeceram às ordens de Viracocha, mas aos poucos foram se esquecendo de tudo. Até mesmo da existência do deus!
   Viracocha então ficou furioso. Não aguentava ver os homens se portando assim tão mal. Cumpriu então sua maldição: alguns foram transformados em pedra, outros foram engolidos pela terra. Finalmente, para apagar qualquer vestígio daquela vida maldita, desencadeou um dilúvio geral que afogou todos os que sobraram. Viracocha só guardou três criados, para ajudá-lo a recriar o mundo.
   Quando a terra secou totalmente, ele começou a trabalhar. Resolveu criar primeiro a luz, para que os homens não passassem a vida toda na noite absoluta. Para isso, foi até a margem de um lago imenso, que mais tarde seria chamado de Titicaca. Com um gesto, fez aparecer o sol, a lua e as estrelas. O sol era resplandescente mas, quando viu a lua subir no céu e brilhar mais do que ele, fico com ciúmes e jogou um monte de cinzas na cara dela. Por isso é que ela ficou menos brilhante e marcada de manchas cinzentas.
   Um dos três criados de Viracocha era mito desobediente, deixando o deus muito zangado. Como ele queria que o mundo fosse perfeito, não podia tolerar erros. Preferiu, então, livrar-se do criado. Com a ajuda dos outros dois, amarrou os pés e mãos dele, colocou-o sobre uma balsa e o abandonou no meio do lago. Em seguida, voltou para a margem com seus dois servidores fiéis e partiu para Tiahuanaco.
   Assim que chegaram, começaram a trabalhar. Viracocha era de uma exigência insuportável. Suas ordens eram estritas e precisas, e ele estava sempre atento para que fossem cumpridas literalmente, nos menores detalhes.
   Em pedra, ele esculpiu os diferentes tipos de homens que iam povoar esse novo mundo. Em seguida, deu-lhes uma alma e ordenou que se espalhassem em todas as direções e escolhessem as regiões em que queriam morar.




   Os homens que viram Viracocha contam que ele é branco, veste uma túnica branca com uma faixa na cintura e segura nas mãos um bastão comprido e um livro.
   Quando terminou sua obra, Viracocha se pôs a caminho para visitar a terra e ver como se comportavam os novos homens. Chegou assim a Cacha, mas os habitantes não o reconheceram. Pior ainda, vendo que era tão diferente deles, tentaram matá-lo. Ninguém na aldeia tinha a pele daquela cor, nem aquelas roupas, nem aqueles objetos nas mãos... já tinham se esquecido dele! Então Viracocha se ajoelhou e levantou o rosto para o céu. Um fogo violento escorreu pelas encostas da colina e incendiou toda a aldeia. Até as pedras queimaram como se fossem de palha. Então todos os índios, assustados, o reconheceram. Correram para ele implorando sua misericórdia, fizeram sacrifícios a seus pés e juraram adorá-lo até o fim do mundo.
   Viracocha teve pena deles e deteve o incêndio com seu bastão. Para que os homens não esquecessem esse momento, deixou que uma das colinas queimasse durante muito tempo. As enormes pedras que lá existiam arderam nas chamas durante vários dias. Quando o incêndio se extinguiu, elas tinham se tornado tão leves que um homem sozinho era capaz de levantá-las, enquanto antes eram necessários muitos apenas para deslocá-las um pouquinho! Durante muito tempo os homens levaram oferendas para Viracocha, deixando-as sobre essas pedras estranhas.
   Depois, Viracocha retomou seu caminho em direção ao oceano, para ir se encontrar com seus criados. Também eles já tinham cumprido suas tarefas, e vários dias que o esperavam.
   Viram quando ele chegou, cercado de homens e mulheres que o haviam seguido até a praia, para ouvir suas últimas palavras.
   E ele lhes disse que ia partir para sempre, mas enviaria um mensageiro divino para velar por eles e lhes ensonar tudo o que necessitavam saber. Depois virou-se, avançou par ao oceano e desapareceu no horizonte, caminhando sobre a água. Pouco a pouco, foi se confundindo com a espuma das ondas. Por isso é que os índios o chamam de Viracocha, que quer dizer "espuma do mar". E durante muito tempo, esperaram naquela praia que aparecesse o mensageiro de Viracocha.

   Viracocha, o deus mais importante do panteão Inca, representa ao mesmo tempo o deus criador e o herói civilizador. Muitas vezes se faz acompanhar de um herói "transformador", que completa sua obra e ensina aos homens os rudimentos da civilização.




   Fonte: livro Os Incas - Mitos e Lendas, de Danièle Küss e Jean Torton. Tradução de Ana Maria Machado

Kamonu, O Imitador - Folclore do Povo Lozi, Zâmbia

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   Quando o deus Nzambi criou a Terra e todos os seres vivos, resolveu viver no local que criara junto com todos os outros seres. Havia, porém, um homem muito inteligente chamado Kamonu, que imitava Nzambi em tudo o que este fazia. Toda vez que o deus seguiam rumo à forja para trabalhar os metais, Kamonu ia atrás. Toda vez que o deus ia para algum lugar, Kamonu também ia. E a maior preocupação veio quando Kamonu forjou uma lança e a usou para matar um antílope.
   Nzambi ficou muito zangado, pois o antílope era um irmão dos homens e não deveria ter sido morto. Repreendeu Kamonu e o expulsou da Terra. Mas tanto Kamonu se desculpou e pediu para voltar, que o deus permitiu que ele retornasse e fosse morar num pedaço de terra. Porém, Kamonu havia aprendido a matar e, na ocasião em que um búfalo invadiu sua plantação de milho, matou-o também. E quando um bando de antílopes também foi comer o milho que plantara, ele os matou a todos. Isso fez com que a má sorte caísse sobre ele e sua casa. Tudo de ruim lhe acontecia: seu cachorro morreu, seu pote de barro se partiu, e seu filho também morreu. Inconformado, Kamonu resolveu ir à presença de Nzambi queixar-se da má sorte.
   A casa do deus ficava num lugar que ninguém conhecia, mas mesmo assim Kamonu a encontrou. E teve uma grande surpresa, pois, quando chegou diante de Nzambi, viu seu filho, seu cachorro, e seu pote ao lado do deus. Pediu-lhe para levar o que era seu de volta, mas Nzambi recusou e o mandou embora. Depois disse aos familiares que, como Kamonu havia descoberto sua morada, eles teriam de mudar-se dali. Todos obedeceram, e escolheram para viver uma ilha, em meio a um grande rio. Mas Kamonu descobriu de novo o paradeiro do deus, construiu uma jangada e remou até a ilha.
   Nzambi estava ficando desanimado com a perseguição de seu imitador. Via, também, os homens se multiplicando sem parar, e a Terra se enchendo de gente que não lhe dava sossego. Chamou, então, várias aves e as mandou voar à procura de um local em que pudesse ficar sozinho, sem ser incomodado pelos seres humanos. Os pássaros, porém, voaram por toda parte e nenhum local isolado encontraram
   Nzambi convocou seu adivinho e pediu-lhe que descobrisse um lugar seguro. O adivinho jogou os ossos de adivinhação e chegou à conclusão de que apenas uma criatura teria como ajudá-los: a Aranha, que era muito sábia.
   A Aranha disse que poderia tecer uma teia ligando a Terra ao Céu. Nzambi e todos os seus familiares poderiam, então, subir por essa teia e chegar ao mundo celeste, onde nada nem ninguém os incomodaria. O deus concordou, mas pediu à Aranha que tecesse a teia de olhos fechados, para que nem mesmo ela ficasse sabendo onde seria sua morada. Foi o que aconteceu. Ela vendou os olhos e teceu a teia, por onde Nzambi subiu, para não mais voltar à Terra.
   Quando soube do que acontecera, Kamonu ficou inconsolável. Resolveu reunir outros homens e pedir sua ajuda para chegar ao Céu. Eles começaram a cortar árvores e empilhar seus troncos um sobre o outro. Aquela torre começou a crescer, crescer, e os homens iam subindo cada vez mais alto. Contudo, o peso dos troncos era muito grane, e chegando a certa altura tudo desabou, arrastando consigo os homens que estavam lá em cima.
   Desde então, Nzambi vive em paz no Céu e não se mistura mais com os homens. E estes aprenderam a saudar Nzambi quando nasce o Sol.




  * Nzâmbi (Zâmbi) ou Nzambi Mpungu (Zambiapongo), o Grande Nzâmbi, é o deus supremo e Criador nos candomblés de Nação Angola, equivalente a Olorun do Candomblé Ketu. Alguns povos bantu o chamam Sukula, outros Kalunga. É sincretizado com o Senhor do Bonfim.
   O culto a Nzâmbi não tem forma nem altar próprio. Só em situações extremas se reza a Nzâmbi, geralmente fora das aldeias, em beira de rios, embaixo de árvores, ao redor de fogueiras. Não tem representação física, pois os Bantu o concebe como o incriado e representá-lo seria um sacrilégio, uma vez que Ele não tem forma. Não recebe nenhum sacrifício ou oferenda, só podendo ser objeto de devoção abstrata.
   No final de todo ritual Nzâmbi é louvado, pois Nzâmbi é o princípio e o fim de tudo. É a força suprema, inacessível e nunca materializada. Ele rege a ordem do mundo e o curso das vidas. Vê tudo e tudo comanda. Deu aos homens as leis fundamentais do universo.



      Sobre Zâmbia

   O Território da Zâmbia, localizado na porção centro-sul do continente africano, não possui saída para o oceano e limita-se com a República Democrática do Congo (ao norte), Angola (a oeste), Namíbia (a sudoeste), Zimbábue (ao sul e a sudoeste), Tanzânia (a nordeste), Moçambique e Malauí (a leste). A maioria da sua área é coberta por savanas e o país também abriga extensos rios, como por exemplo, Luangwa, Kafue e Zambezi, onde estão as famosas cataratas de Vitória.
   Ex-colônia britânica, a Zâmbia (antiga Rodésia do Norte) conquistou a independência no dia 24 de outubro de 1964. Desde então, o país passou a integrar a Comunidade Britânica – bloco formado pelo Reino Unido e suas antigas colônias.

   
    Fonte: livro Volta ao Mundo em 80 Dias, de Rosana Rios

Liu Yu e o Rei Dragão - Mitologia Chinesa

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Arte por Carolina Young

   Conta-se que, nos tempos em que a Dinastia Tang governava a China, um rapaz chamado Liu Yu, natural da região dos lagos no centro do país, foi estudar e fazer exames na importante cidade de Chang'an. Após resolver seus assuntos, cavalgava de volta à sua terra quando encontrou uma bela jovem a cuidar de um rebanho de ovelhas, e que chorava sem parar. Liu Yu apeou-se e perguntou se podia ajudá-la. A moça lhe disse:
  - Sou filha de um poderoso rei dragão do lago Dontig, e me cansei com um filho do rio Jing. Mas meu marido me maltrata e não se importa comigo, e meus sogros acham que tudo que ele faz está certo. Queria pedir ajuda a meu pai, mas como ir sozinha para tão longe? Se você quiser me ajudar, pode ir até o lago e contar a ele o que me acontece!
   Liu Yu concordou em fazer o que ela pedia, mas contestou:
  - Como poderei chegar à presença do rei dragão? Não conseguirei descer às profundezas do lago.
   A filha do rei então explicou:
  - Junto às margens do norte do lago, existe uma grande árvore sagrada. Quando você chegar lá, prenda seu cinto em volta da árvore, bata três vezes no tronco. Alguém aparecerá para levá-lo à presença de meu pai. Então, entregue-lhe uma carta.
   Ela deu ao rapaz uma carta que escrevera ao pai. Ele a guardou e, quando estava montando de novo para segui viagem, comentou:
  - Eu não sabia que os seres celestiais como você cuidavam de rebanhos de ovelhas.
  - Estas não são ovelhas - retrucou a moça. - São trabalhadores da chuva, fabricantes de trovões e relâmpagos.
   Por mais que Liu observasse, porém, não via diferença entre aquelas ovelhas e as comuns. Assim, despediu-se dela e partiu. Quando olhou para trás, não mais viu nem a filha do rei dragão nem suas ovelhas...
   Após passar por sua casa, decidiu ir logo em busca do lago Dontig. Viu a árvore sagrada ao norte, atou em redor dela seu cinturão e por três vezes bateu no tronco. Como ela havia dito, alguém surgiu: um homem saiu das águas do lago e o saudou.
  - Quero ver o seu rei - disse-lhe Liu Yu.
   Sem discutir, o homem tocou nas águas do lago, que se abriram. E pediu:
  - Feche os olhos por um momento.
   O rapaz obedeceu e seguiu o homem. No instante seguinte, voltou a abi-los e viu que se encontrava em um enorme palácio, luxuoso, repleto de colunas, torres, ornamentado por plantas belíssimas, e revestido com pedras preciosas. Uma grande porta se abriu e, entre nuvens, apareceu uma figura nobre: o rei dragão em pessoa.
  - Nossa casa é muito difícil de encontrar, forasteiro. Por que veio até aqui?
   Ajoelhando-se diante do rei, o rapaz explicou que trazia uma carta da filha do rei, e contou a situação em que a encontrara. O dragão tomou a carta, leu-a e começou a chorar.
  - Minha pobre filha! - exclamou. - Foi por minha culpa que ela partiu para se casar. E agora está sofrendo, sem que eu nada fizesse para ajudá-la! Mas você, um estrangeiro, colocou-se ao serviço dela. Nunca esquecerei isso!
   A essa altura, os servos do rei também liam a carta da princesa e também começavam a chorar. Logo levaram a mensagem para os aposentos das mulheres, que desandaram a chorar tão alto que o rei se preocupou. Chamou um criado e disse-lhe:
  - Avise as mulheres para não fazerem tanto barulho, ou Chiantang as ouvirá!
  -  Quem é Chiantang? - indagou o rapaz.
  - É meu irmão, e tem um gênio terrível. Já casou tremendas inundações, e agora tenho que vigiá-lo para que o Deus Celestial não o castigue...
   Mal havia dito isso, e ouviu-se um rugido tremendo, que fez sacudir todo o palácio. E apareceu um imenso dragão vermelho, cercado por trovões e relâmpagos, ocupando quase toda a sala. Liu Yu se apavorou e tornou a ajoelhar-se, mas, em um segundo o dragão deixou o palácio. O rei acudiu o rapaz.


  - Não tenha medo, ele já foi. Agora devemos aguardar que retorne... enquanto isso, vamos beber e conversar.
   Ordenou que os servos servissem bebidas e perguntou ao rapaz tudo sobre sua vida. Ainda estavam conversando quando ambos ouviram suave música invadir a sala. E um grupo de belas jovens entrou. Uma delas foi abraçar o rei; Liu Yu reconheceu a moça que vira cuidando das ovelhas.
  - Eis aqui minha filha, que era prisioneira do rio Jing! - o dragão se alegrou.
   Em seguida, entrou na sala do palácio um senhor nobre, ricamente vestido, que era o aspecto humano de Chiantang, o irmão do rei. Ele agradeceu ao rapaz por ter trazido notícias da sobrinha e explicou:
  - Fui ao rio Jing e lutei com todos os seus soldados para libertar minha sobrinha. Depois fui ao reino do Deus Celestial e expliquei o que houve. Ele me perdoou, pois o que fiz foi para salvar nossa princesa...
  - Você matou muita gente? - perguntou o rei dragão.
  - Umas seiscentas pessoas.
  - Inundou as terras?
  - Destruí tudo.
  - E meu genro?
  - Eu o devorei.
   O rei dragão ficou irritado.
  - Apesar de o marido de minha filha ser um inútil, você se precipitou. Ainda bem que pediu perdão ao Deus Celestial... Precisa controlar seu gênio, meu irmão!
   Chiantang prometeu comportar-se, e Liu Yu foi convidado a ficar no palácio para as festividades do dia seguinte. Foram festas maravilhosas, festejando a volta da filha do rei dragão, com muito luxo, comida e bebida. A certa altura, Chiantang, que já havia bebido muito, chamou o jovem e lhe disse:
  - Minha sobrinha merece alguém melhor do que aquele inútil que eu matei. Você deveria casar-se com ela, eu sei que você a ama!
   Liu Yu ficou preocupado com a proposta do dragão vermelho. Sentia-se atraído pela jovem, mas ela era parte de um povo imortal, e ele um simples homem do povo! Como era muito diplomático, conversou com o irmão do rei tentando não despertar sua fúria ao recusar casar-se com a princesa. No outro dia, despediu-se do rei e preparou-se para partir. O rei mandou que alguns servos o acompanhassem até sua terra, levando presentes riquíssimos. Ao despedir-se da princesa, Liu Yu se arrependeu de não ter aceitado a proposta de Chiantang, pois ela lhe sorria com carinho. Mesmo assim, partiu da corte do rei dragão e voltou para casa.
   Com todos os valores que recebera, Liu Yu se tornou rico e próspero. Casou-se pouco tempo depois, porém sua esposa faleceu. Casou-se uma segunda vez, mas a mulher também veio a morrer. Então propôs casamento à filha de uma família nobre da região, e o casamento se fez com muitas festas.
   Era feliz com sua terceira esposa, embora achasse algo estranho em seu rosto. Com o passar dos meses, percebeu que ela ia se parecendo, cada vez mais, com a filha do rei dragão! Mas nunca lhe disse nada. Contudo, quando seu primeiro filho nasceu, a moça lhe contou a verdade: ela era mesmo a jovem que ele ajudara a salvar, mudara seu rosto por magia e somente aos poucos ia se revelando a ele.
  - Fiquei muito triste quando você recusou o casamento que meu tio lhe propôs - ela disse -, mas sempre acreditei que seríamos felizes juntos.
   Liu Yu e sua esposa tiveram, realmente, uma vida cheia de felicidade. Passaram a visitar a família dela no palácio sob o lago Donting. E, conforme os anos transcorriam, ele percebeu que não envelhecia! Decidiu então ir, com a esposa e os filhos, morar nos domínios do rei dragão.
   Diz a lenda que até hoje ele vive por lá, e que às vezes é visto sobre as águas do lago, contemplando as terras às quais nunca mais voltou.



    Fonte: livro Volta ao Mundo em 80 Mitos, de Rosana Rios

Enuma Elish, O Mito Babilônico da Criação - Mitologia Babilônica

Author: Luiza / Marcadores: , , , , , , , , ,

 


   Era o nada; nenhuma coisa tinha existência. a não ser as águas. Foi então que a água doce, chamada Apsu, e Tiamat, que era a água salgada, se uniram. Misturaram suas águas e pronunciaram os nomes das coisas. Com seus nomes pronunciados, as coisas puderam surgir. Os primeiros seres a que o casamento de Apsu e Tiamat deu origem foram Lahmu e Lahamu, os deuses originais, o princípio de todos os outros. Desse casal nasceram Mummu, Anshar e Kishar, e deles vieram An, o deus dos céus; Baal, o senhor dos ventos e da terra; e Ea, o senhor das águas. Mas Apsu se aborreceu com todos os filhos de seus filhos, achando que eles faziam muito barulho e não o deixavam descansar, nem durante o dia nem à noite. Então chamou Mummu e juntos planejaram destruir todos.
   Tiamat soube o que ia acontecer e não concordou com a destruição dos filhos de seus filhos. Mesmo assim, Apsu, que tinha prazer em destruir, continuou a planejar. E quando a notícia se espalhou entre todos os deuses, muitos deles se desesperaram, pois nada poderiam fazer contra o poder de Apsu.
   Foi o deus Ea quem impediu que todos fossem destruídos; com sua magia, criou um encantamento que fez Apsu e Mummu dormirem. Então ele os matou e tomou para si o lugar de Apsu, que tinha o mesmo nome do deus morto; lá ele ergue seu palácio e nele habitou, com sua esposa Damkina. Ela deu à luz o filho de Ea, Marduk. E o menino cresceu forte, poderoso e cheio de glória.
   Nesse tempo, An, filho de Anshar, criou os quatro ventos e os deu a Marduk para brincar. Dos ventos vieram os redemoinhos que carregavam o pó, e as grandes ondas que vinham das enxurradas. Tudo isso começou a perturbar Tiamat, arrependida por não ter defendido Apsu diante de Ea e seus aliados. Ela decidiu então vingar-se pela morte do esposo e começou a criar e reunir vários monstros: serpentes gigantes venenosas, dragões dotados de raios mortais, demônios, e misturas de homens com animais. Com eles, formou um exército que deixou sob o comeando do terrível guerreiro Kingu. A ele Tiamat entregou a Tábua dos Destinos, que decreta o destino de cada criatura; e mandou-o para a batalha, ordenando que destruí-se os deuses.
   Ea, sempre astuto, avisou Anshar e An do grande perigo que se aproximava, mandando-os enfrentar o exército de Tiamat. Nenhum dos deuses, porém, tinha o poder para vencer a ameaça. O único ser capaz de enfrentar o ataque seria o filho de Ea.
   Os deuses chamaram Marduk e pediram-lhe que fosse seu campeão. O jovem herói sentiu desejo de guerrear Tiamat, mas fez uma exigência para sair em combate:
   - Se desejam que eu enfrente Tiamat e destrua os monstros que ela criou, devem conceder a mim a supremacia entre todos os deuses. Quero o poder de decretar os destinos, e tudo o que eu fizer não deve jamais ser desfeito.


Marduk


   Reunidos em conselho, os deuses concordaram com o que ele pedira. Elegeram Marduk seu campeão e conferiram-lhe o poder supremo, tornando-o o rei de todo o Apsu. Marduk então partiu para o combate, armado com arco e flecha, a clava e uma rede feita dos quatro ventos, que levou escondida nas costas, junto com o tornado.
   Kingu, comandando o exército de monstros, teve medo quando viu o herói chegar. Tiamat, porém, fingiu recebê-lo com boa vontade. Mas isso não enganou o herói, que disse:
   - Não tente me enganar com boas palavras enquanto planeja a nossa destruição! Você, que deu à luz todos os deuses, agora dirige a sua maldade contra meus pais? Eu a impedirei. Prepare sua hoste e afie suas armas: eu a enfrentarei em combate singular.
   Ao ouvir isso, Tiamat foi tomada de fúria. Cega de ódio, lançou-se contra Marduk num combate corpo a corpo. Ele lançou sua rede, mas ela abriu a imensa boca para devorar os ventos. O herói então lançou uma rajada tão forte que a impediu de fechar a boca e disparou uma flecha em direção do seu ventre. Tiamat caiu; o herói saltou sobre ela, atingiu seu coração e extinguiu sua vida.
   Morta Tiamat, seus seguidores tremeram de medo diante do vencedor. Marduk, porém, matou apenas Kingu, o comandante, para tomar dele a Tábua dos Destinos.
   Foi pela vontade de Marduk que metade do corpo de Tiamat foi transformada no Céu, e a outra metade na Terra. De suas águas ele fez os mares, e de suas entranhas fez as estrelas e a Lua. Na Terra, construiu um grande templo para reverenciar os deuses. Foi ainda s pedido do filho que Ea criou os seres humanos para hbitar a Terra; eles foram criados a partir do sangue de Kingu, misturado com barro.
   Marduk organizou o mundo e distribuiu o poder aos deuses, dando, a cada um, domínio sobre uma parte da criação. E todos o consideraram seu rei e senhor, honrando-o para sempre como aquele que derrotou Tiamat, a mãe de todos os monstros e dragões.

Relevo Assírio mostrando a luta de Marduk e Tiamat


    Fonte: livro Volta ao Mundo em 80 Mitos, de Rosana Rios

Odin: Sábio e Guerreiro - Mitologia Nórdica

Author: Luiza / Marcadores: , , , , ,

 

   Odin era um colosso de múltiplos talentos. Antes de mais nada, era o deus que comandava as guerras. Com sua lança mágica numa das mãos e sua espada fulgurante na outra, lançava-se com visível prazer no meio das batalhas mais encarniçadas e sempre era ele quem escolhia o vencedor. Para se proteger, usava um capacete com dois chifres coberto de ouro, uma armadura e um cinturão de fivela pesada, capaz de multiplicar por dez a força do deus.
   Dois temíveis lobos gigantes e várias amazonas corajosas o acompanhavam em todas as batalhas. Essas mulheres jovens e lindas, chamadas valquírias, apareciam para os guerreiros que iam morrer, mas ficavam invisíveis para os demais. Por isso, vê-las era um presságio terrível. Após os combates, as valquírias conduziam aqueles que haviam morrido em combate até o Walhall (ou Valhala), um paraíso especialmente construído para eles em Asgard. Lá, sob a presidência de Odin, todos participavam de um alegre banquete, servido pelas valquírias.

As Valquírias, por William T. Maud (1865 - 1903)

   Às vezes benevolente mas distante, Odin não comia. Tomava apenas hidromel, uma bebida divina à base de mel, e dava sua parte dos alimentos aos dois imensos lobos, que estavam sempre de guarda a seu lado. Muito mais do que simples combatente, Odin era sobretudo um sábio. Enquanto os guerreiros e os deuses festejavam e contavam proezas, ele refletia.
   Tivera a coragem de sacrificar um de seus olhos, mirando a Fonte da Sabedoria guardada pelo gigante Mimir. Essa façanha o deixara caolho, mas também lhe permitira ter acesso a conhecimentos que nenhum outro deus possuía. Principalmente, Odin era o senhor da ciência das runas, uma escrita mágica que, graças a ele, os vikings depois passaram a utilizar.


Runas nórdicas

   Bonito e culto, Odin se expressava com facilidade, quase sempre em verso, pois adorava poesia. Com seu belo aspecto, ele fazia muito sucesso entre as mulheres. Mesmo tendo se casado com Frigg, a deusa do matrimônio, não deixava de cortejar outras deusas e até algumas gigantas... Por isso, são atribuídas a ele uma porção de filhos e uma família bastante complicada!
   Quando ficava descansando em Asgard, Odin se sentava no centro de uma sala imensa, que tinha sido construída especialmente para ele e podia acolher milhares de guerreiros. Odin tinha sempre sua lança mágica ao alcance da mão. Era uma arma terrível, capaz de lançar relâmpagos.
   Todos os dias, dois corvos negros, chamados pensamento e Memória, sobrevoavam silenciosamente a Terra. Depois, na hora do crepúsculo, esses dois pássaros sagrados iam pousar nos ombros de seu dono e lhe relatavam tudo o que haviam visto. Sempre que os vikings viam um corvo, lembravam-se de que ele podia ser um mensageiro de Odin.
   Se por um lado Odin gostava de passar muito tempo refletindo e meditando, por outro também adorava percorrer o mundo. Nessas ocasiões, cavalgava o maravilhoso corcel Sleipnir, que lhe permitia atingir rapidamente qualquer ponto da terra. Algumas vezes, ele se disfarçava ou até se metamorfoseava, para se misturar melhor aos homens, para se divertir ou para ensinar humildade a certos deuses. Outras vezes, era aconselhado pelo astuto e maligno Loki, com quem tinha um curioso pacto.
   Temido pelos homens, respeitado pelos deuses, Odin reunia as qualidades do guerreiro, do poeta e do sábio.



    Fonte: livro Os Vikings: Mitos e Lendas, de Gilles Ragache e Marcel Laverdet, tradução por Ana Maria Machado.

Gigantes e Anões - Mitologia Nórdica

Author: Luiza / Marcadores: , , , , , , , , , , , , ,



  Antes mesmo que os homens surgissem na face da Terra, os gigantes e os anões já povoavam o mundo. Nascido dos gelos primitivos, o primeiro ser vivo foi chamado de Ymir. Ele deu orgiem a outros gigantes e depois a uma enorme vaca chamada Audumla. Um dia, com muito vagar e paciência, Audumla começou a lamber um bloco de gelo, e dele foi aos poucos surgindo Buri.
   Buri se casou com uma giganta, e dessa união nasceram os primeiros deuses: Odin, Vili e Vê.
   Nesse período, formaram-se altas montanhas a partir do corpo inerte de Ymir, e sobre elas os cabelos do gigante criaram raízes e viraram florestas. Depois os deuses fizeram os animais, as plantas e, com dois troncos de árvore, o primeiro homem e a primeira mulher. O mundo tomou forma - um mundo onde gigantes e deuses prosperaram separados. Infelizmente surgiu a discórdia entre esses dois povos. Depois de uma longa guerra, os deuses saíram vitoriosos, mas muitos grupos de gigantes se esconderam nos lugares mais inóspitos, para preparar sua vingança.
   Desde essa época, os dois povos passaram a se enfrentar num combate perpétuo, e o barulho de suas lutas intermináveis ressoava pelo mundo. No coração dos vulcões, os gigantes do fogo se agitavam em seu escuro reino subterrâneo e provocavam terremotos. Entrincheirados no País da Geada, os gigantes do frio enviavam tempestades de neve e rajadas de gelo. E, no fundo dos oceanos, os gigantes dos mares desencadeavam terríveis tormentas.
   Os deuses não confiavam nesses seres primitivos, violentos e perigosos. Por isso construíram Asgard, um local fortificado onde poderiam viver com toda a tranquilidade. Mas as relações não estavam totalmente rompidas, e alguns gigantes chegavam a se mostrar amáveis. Era o caso de Mimir, guardião da Fonte da Sbedoria, que se tornou amigo de Odin, e Aegir, gigante dos mares que acabou sendo considerado um deus.

Gigantes do fogo

Gigantes do gelo

Gigantes do mar: Aegir e suas filhas

   Homens e deuses sabiam que debaixo da terra viviam pequenos seres simpáticos, mas dos quais era muito difícil chegar perto: os anões. Apesar de discretos e temerosos, eles eram os senhores do fogo e da arte dos metais. Donos de todos os segredos da forja, zelosos de seu saber, tinham o poder de fabricar armas mágicas. Por isso, os deuses os protegiam e até os cortejavam.
   Seguindo receitas que só eles conheciam, os anões faziam jóias maravilhosas, como o colar da deusa Freya. Forjaram também uma lança mágica para Odin - uma arma indestrutível que nunca errava o alvo! Depois criaram uma espada de resistência excepcional. Chegaram mesmo a fabricar um navio coberto de ouro, o qual vencia sem nenhuma dificuldade as ondas, tempestades e ventos contrários e sempre chegava ao destino que Odin determinava - em outras palavras, o navio com que sonhavam todos os vikings, sacudidos pelas ondas e expostos a todos os perigos em suas embarcações de madeira...
   Ainda que às vezes pregassem peças, os anões eram incapazes de maldade e não agrediam ninguém. Não eram imortais, mas podiam viver muito tempo, pois para eles as luas duravam séculos. Talvez mesmo hoje, nas montanhas agrestes da Escandinávia, alguns ainda estejam vivos, guardando fabulosos tesouros. Os mineiros de lá garantem que de vez em quando os vêem de relance no fundo de galerias abandonadas. E dizem também que isso é sempre um excelente presságio!


Anões (arte por John Bauer)


   Fonte: livro Os Vikings: Mitos e Lendas, de Gilles Ragache e Marcel Laverdet, tradução por Ana Maria Machado.

A Ponte de Zhaozhou - Conto Popular Chinês

Author: Luiza / Marcadores: , , , , , , , , , , ,

  

   A pedido de um leitor, que pediu para que eu postasse mais sobre a mitologia chinesa, eis aqui um conto Han, bem popular na China:


   Na cidade Zhazhou havia duas pontes, uma do lado sul e outra do lado oeste. A maior era a do sul e foi construída por Lu Ban, e a mais pequena, ou seja, a do oeste foi construída pela sua irmã Lu Jiang.
   Lu Ban e a sua irmã andavam a viajar pela China até que chegaram a Zhaozhou. Lá ao longe viram as muralhas douradas da cidade, mas, quando se aproximaram, viram que um rio, cujas águas brilhavam com a luz do sol, lhes barrava o caminho. Na margem havia uma multidão de pessoas que gritavam e se empurravam para ver quem é que conseguia passar primeiro para entrar na cidade. O rio tinha uma corrente bastante forte e só havia dois barquinhos para fazer a travessia. Por isso levava muito tempo a passar e além disso levava poucas pessoas de cada vez. Entre a multidão havia comerciantes de arroz, de palha, carregadores de sal, vendedores de tâmaras, camponeses que levavam algodão para fiação, comerciantes de tecidos que iam para a feira do templo... Uns levavam toda a carga aos ombros, outros levavam-na em burros ou em carroças.
   Muitas vezes alguns perdiam a paciência e provocavam cenas de desacato. Ao ver isto, Lu Ban perguntou aos que estavam à sua volta:
  - Por que é que não constroem uma ponte sobre o rio?
   Perguntou a várias pessoas e todas responderam:

   Dez lis tem o rio de largura,
   Há areias movediças na fundura.
   Muitos o têm projetado
   Nenhum o levou de acabado.

   Então Lu Ban e Lu Jiang examinaram o terreno e a força da água e resolveram construir duas pontes.
   Lu Jiang estava farta de ouvir gabar a habilidade do irmão, mas, como não estava muito convencida disso, quis desafiá-lo e por isso disse-lhe:
  - Cada um de nós vai construir uma ponte e havemos de ver quem é que a acaba primeiro. Começamos a obra ao cair da noite e quando o galo cantar, a ponte tem de estar construída. Quem não conseguir acabar, deve dar-se por vencido.
   Lu Ban aceitou. E ficou então decidido que iria construir a ponte do lado sul da cidade e Lu Jiang do lado oeste.
   Mal Lu Jiang chegou ao local escolhido para a construção da ponte, começou logo a fazer os preparativos necessários e pôs mão à obra. Ainda não era meia noite e já tinha acabado. Pensou então que desta vez iria passar à frente do irmão e querendo ver como é que lhe corriam as coisas, sem que ninguém a visse, foi espiá-lo. Mas qual não foi o seu espanto ao chegar lá e ver que estava tudo na mesma. Não viu nem sombras de nenhuma ponte e o seu irmão também não estava por ali. "onde é que ele se meteu?", interrogou-se admirada. Mas logo viu ao longe um pastor com um rebanho de carneiros que vinham a descer o monte Taihang. Rolavam pela encosta abaixo, ás cambalhotas, e vinham na sua direção.
   Quando chegaram perto de onde ela estava, viu que o pastor era o seu irmão e que o rebanho eram pedras de mármore, lisinhas e brancas como a neve. Ao ver isto sentiu um aperto no coração. Com tais pedras o seu irmão iria decerto construir uma ponte sólida e muito bela. O que seria da sua em comparação com esta? Era preciso encontrar uma maneira de a embelezar. Teve uma ideia, correu logo para a sua ponte e pôs-se a ornamentar os resguardos da ponte com esculturas. Ao fim de certo tempo, esta estava já toda decorada com esculturas de um guardador de gado, de uma tecelã, de uma fênix a voar em direção ao sol, de flores, de plantas raras, etc. Admirou sua obra e sentiu-se feliz. E não aguentando mais estar ali, correu de novo para junto do lugar onde seu irmão devia construir a ponte para ver se ele já tinha terminado. E desta vez sim, a ponte estava já quase acabada, só faltava pôr mais duas pedras. Então cheia de impaciência, Lu Jiang imitou por duas vezes o canto do galo, o que fez com que todos os galos da aldeia acordassem e se pusessem a cantar: có, có, có, có, có!... Ao ouvi-los, Lu Ban apressou-se a colocar as pedras que faltavam e assim a sua ponte ficou concluída até o cantar do galo como tinha sido combinado.
   Das suas pontes, uma era grande e a outra era pequena. A ponte que Lu Ban construíra era de uma grandeza imponente e tinha um aspecto sóbrio, por isso ficou conhecida por "a grande ponte de pedra".
   A que Lu Jiang tinha construído estava decorada com belas esculturas. Ficou conhecida por "a pequena ponte". A partir de então, sempre que as moças queriam bordar almofadas, pantufas, etc., as mães aconselhavam-nas a ir até a ponte oeste da cidade para copiar um daqueles bonitos arbustos de flores que ornamentavam os resguardos da pequena ponte.

Ilustração retratando Lu Ban e sua irmã Lu Jiang

   A notícia de que em Zhaozhou tinham sido construídas numa só noite uma ponte tão sólida e outra tão bonita correu rapidamente por todas as cidades da região e chegou aos ouvidos dos *Oito Imortais, que viviam nas grutas de Penlai. Um deles, Zhang Guolao, cheio de curiosidade, mal ouviu a notícia foi buscar o seu burro de crina negra e pôs-lhe às costas um saco no qual tinha colocado do lado esquerdo o Sol e do lado direito a Lua. E convidou o rei Chai para o acompanhar, o qual levou um carrinho cujo estrado era de ouro e as pegas de prata. Puseram em cima do carrinho as quatro grandes montanhas e lá foram para Zhazhou. Assim que chegaram junto da ponte, Zhang Guloao perguntou em voz alta:
  - Quem é que construiu essa ponte?
   Lu Ban, que estava ali a verififcar a solidez dos resguardos e do vão da ponte, respondeu:
  - Fui eu. O que aconteceu? Há alguma coisa de errado?
   Zhang  Guolao apontou para o burro e para o carrinho de mão e disse:
  - Nós queríamos atravessar a ponte, julgas que ela pode aguentar este peso todo?
   Lu Ban desatou a rir e respondeu:
  - Se mulas e cavalos passam por ela, por que é que um burro e um carrinho de mão não haviam de poder passar? Vá! Passem!
   Zhang Guolao e o rei Chai trocaram um sorriso entre eles e começaram a atravessar a ponte. Mas lhe puseram o pé em cima, esta começou a abanar como se fosse desmoronar-se. Lu Ban correu para debaixo dela para a aguentar, segurando-a com os braços e só assim os dois puderam passar sem problemas. A ponte não só aguentou bem como ficou ainda mais sólida. Só que do lado sul ficou um pouco fora do lugar. Hoje podem-se ver lá sinais dos cascos do burro de Zhang Gulao e o rodado deixado pelo carrinho de mão do rei Chai que ficou marcado numa distância de um metro. Por baixo da ponte vêem-se ainda também as marcas das mãos de Lu ban. Houve tempo em que se vendiam pinturas de Ano Novo que representavam Lu Ban a segurar a ponte.
   Depois de passar para o lado de lá, Zhang Gulao voltou-se para Lu Ban e disse:
  - É uma pena que a tua vista seja tão má!
   Lu Ban só então viu quem eles eram. Reconhecendo que seus olhos não foram capazes de identificar logo tão importantes personagens, envergonhado, arrancou um dos seus olhos, pousou-o atrás da ponte e foi-se embora sem dizer nada. Pouco depois, o rei dos escudeiros passou por ali e vendo o olho de Lu Ban, apanhou-o e pô-lo na testa. E é por isso que em todas as pinturas e desenhos o rei dos escudeiros aparece sempre com três olhos.
  Lu Ban hoje é o patrono dos carpinteiros e é por isso que estes fecham um olho quando querem verificar se uma linha está direita.
  Durante várias gerações, os habitantes de Zhaozhou recordaram Lu Ban com reconhecimento pela construção da grande ponte de pedra e ainda hoje os guardadores de gado cantam esta canção:

   Quem construiu a ponte de Zhaozhou? 
   E quem foi que, qo passar lá com burro,
   a fez inclinar um pouco para o oeste?
   E quem é que lá passou com um carrinho de mão,
   e deixou bem marcado o rodado?
   Foi Lu Ban que fez esta ponte.
   E Zhang Gulao, ao passar lá com o seu burro,
   fê-la inclinar para o lado oeste.
   E foi o rei Chai que, com o seu carrinho,
   Aí deixou bem marcado um rodado.




Foto da ponte de Zhaozhou

   *Os Oito Imortais são um grupo de deidades mitológicas chinesas que aparecem em lendas e textos tradicionais da doutrina taoista. Eles agem como super-heróis santos e atuam na vida de seus devotos de várias maneiras. Diferentemente dos deuses de mitologias politeístas, os Oito Imortais são pessoas comuns que chegaram à iluminação e se tornaram imortais e etéreas. Todos eles estão ligados a figuras históricas (que realmente existiram ou não) das dinastias reais chinesas entre 206 a.C. e 1279. Podem ser, por exemplo, um primo de um imperador da dinastia Tang ou um general sem nome do exército dos Song.




  Fonte: livro Contos Populares Chineses, traduzido pelo Instituto de Línguas Estrangeiras de Pequim, República Popular na China.
 http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quem-sao-os-oito-imortais

Cihuateteo - Mitologia Asteca

Author: Luiza / Marcadores: , , , , , , , , ,

 



  Na mitologia asteca, o parto era considerado uma batalha, e as mulheres que morriam dando a luz eram consideradas guerreiras que morreram lutando, e por isso viram uma divindade muito honrada e temida, chamada Cihuateteo, que quer dizer "mulher divina".

  A entidade Cihuateteo era conhecida por escoltar as almas dos guerreiros mortos  em batalha até o Submundo, conforme o sol se punha ao oeste; era muito temida por causar doença física ou mental, e raptava crianças para tê-las como se fossem suas; só aparecia depois do pôr do sol e também costumava seduzir homens para fins sexuais.

  Magos e guerreiros da época utilizavam seus ossos como amuletos mágicos, por acreditarem que de fato são entidades divinas. Eram caracterizadas como tendo garras de águia no lugar das mãos, rosto demasiado esbranquiçado como o de uma caveira, ventre estufado e murcho (típico de quem acabou de dar a luz), costas levemente arqueadas, seios nus, usando brincos dourados e ás vezes vestindo náguas (vestes usadas pelas mulheres nativas do México).

  Os povos astecas construíam estátuas para as Cihuateteo em templos e costumavam deixar bolos, torradas e outros tipos de alimento em altares nas encruzilhadas para se prevenir de seus ataques. Faziam também festas em templos locais em Tenochtitlán, a capital do Império Asteca, com bolos de vários formatos e torradas.




 Fonte:
http://www.theparanormalguide.com/blog/cihuateteo
http://www.arts-history.mx/sitios/index.php?id_sitio=5354&id_seccion=4556&id_subseccion=8520&id_documento=281
http://www.azteccalendar.com/god/Cihuateteo.html
https://es.wikipedia.org/wiki/Cihuateteo
https://en.wikipedia.org/wiki/Cihuateteo

Indra, Senhor dos Trinta e Três Deuses - Mitologia Hindu

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  Indra é o Senhor dos Deuses. Costuma aparecer montado em Airávati , um elefante de cor branca; suas armas são o raio e o trovão. É muito poderoso; seus objetivos são triunfar sobre os demônios e conquistar a Iluminação. Muitas vezes foi auxiliado em suas lutas por Agni, o Fogo, e seus seguidores, os Angiras. Isso aconteceu na ocasião em que os Panis, seres das trevas, roubaram o rebanho de vacas dos deuses. Indra foi à sua procura e, com a ajuda de sete Angiras, conseguiu encontrar as vacas e recuperar o rebanho. Muitas foram suas aventuras, mas a mais perigosa deve ter sido a luta contra o demônio Vritra, o Envolvedor. Este fora criado pelo deus Tvashtri, como vingança pelo senhor dos deuses ter matado seu filho Trishiras; acontece que, se Indra não houvesse matado Trishiras, este teria devorado todo o universo.
  Quando criou Vritra, Tvashtri lhe deu imenso tamanho e a capacidade de reter as águas dos Sete Rios; sua cabeça tocava os céus. Indra se dispôs a enfrentá-lo, porém a força do demônio era imensa e, após uma terrível luta, Indra foi vencido e devorado. Os outros deuses ficaram apavorados com isso. Pensaram  nas formas de recuperar seu rei, e tiveram a ideia de fazer o gigantesco ser bocejar. Quando Vritra abriu a enorme boca num bocejo, Indra conseguiu escapar das entranhas do monstro, e a luta recomeçou. Mas o Senhor dos Deuses sabia que não podia vencer Vritra, e preferiu fugir, profundamente humilhado. Os deuses lhe sugeriram procurar Vishnu, o deus dos dez avatares, para pedir ajuda, e assim ele fez. Vishnu, porém, aconselhou que ele fizesse as pazes com Vritra, pois ainda não havia no mundo uma arma que o vencesse. Prometeu, porém, que um dia poderia encarnar-se como uma arma poderosa o bastante para matar o demônio.
  Indra concordou em reconciliar-se com Vritra; e o malvado gigante exigiu que ele jurasse não atacá-lo nem durante a noite nem durante o dia, com nenhuma arma feita de metal, pedra, madeira, e que não fosse seca nem molhada. Indra fez o juramento, mas em seu coração planejava uma forma de vingar-se do monstro. Certa tarde, ele estava passeando pela praia quando percebeu que naquele momento não era mais dia, porém ainda não era noite; e viu erguer-se no mar uma grande coluna de espuma, que não era seca nem molhada, nem feita de metal, madeira ou pedra. Tomou a coluna nas mãos e arremessou-a contra Vritra. A espuma, que era uma encarnação de Vishnu, cumpriu seu papel e matou o malvado.




Fonte: livro Volta ao Mundo em 80 Mitos, de Rosana Rios

Shiva, o Destruidor - Mitologia Hindu

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  O mundo foi criado por Brahma e é protegido por Vishnu, mas não pode durar para sempre. Todas as coisas criadas têm de ser destruídas, para que sejam renovadas. Por isso a divindade precisa ter três formas, e a terceira é Shiva.
  Esse deus, o aspecto destruidor de Trimurti, a trindade, é também conhecido como o Senhor da Dança, e manifesta nessa arte a perfeita harmonia e o ritmo da música, que permeia o Universo. Os artistas o retratam em várias formas: a mais conhecida é como um homem que tem quatro braços. Duas mãos seguram um tamborim e um tridente, as outras duas fazem o gesto de doar. Em seu rosto há o terceiro olho, que lhe dá a visão interior; veste a pele de um tigre e traz três serpentes enrodilhadas em seu pescoço, nocolo e nos braços. Na cabeça, leva um ornamento com a Lua crescente.
  Shiva possui vários aspectos. Um deles é Rudra, o deus mais terrível de toda a Mitologia da Índia. É aquele que luta contra o Mal, senhor da morte, líder dos fantasmas e vampiros. Porém é também o senhor da cura, e todo aquele que o invoca tem as suas feridas saradas. É também o deus dos ascetas, dos que meditam para alcançar o Nirvana*.
  Conta-se que Shiva era tão dedicado à meditação, que deixava sozinha sua esposa Parvati. Sentindo-se abandonada, ela pediu a companhia do deus Kama, Senhor do Desejo. Ora, Kama não podia amar Parvati, pois não apenas amava sua própria esposa, como tinha muito medo de Shiva-Durga. Tentou chamar a atenção do deus, que estava meditando, com uma flecha, para fazê-lo procurar a esposa solitária. No entanto, Shiva não queria deixar a meditação e viu, com seu terceiro olho, que seria interrompido. Para evitar ser perturbado, imediatamente fulminou Kama.
  A esposa de Kama, inconsolável, foi implorar ao deus que ressuscitasse o marido. Para não ser mais incomodado, Shiva consentiu e ele voltou à vida. Mas os desejos de Parvati não foram saciados, e é por isso que todos os amantes se desejam neste mundo: o desejo será eterno, até que a esposa do deus seja atendida. Apesar disso, Shiva tem também o aspecto benévolo, de Senhor da Dança, que é considerada a arte que mais ajuda o homem a entender as coisas divinas.





  Nota:
* Nirvana é uma palavra do contexto do Budismo, que significa o estado de libertação atingido pelo ser humano ao percorrer sua busca espiritual.

Fonte: livro Volta ao Mundo em 80 Mitos, de Rosana Rios

Aumakua - Folclore Havaiano

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  Aumakua é um tipo de espírito e anjo da guarda que tem como função auxiliar e proteger seus descendentes. Nas lendas da época dos antigos deuses havaianos, os Aumakuas são os espíritos de ancestrais já falecidos, que se tornaram deuses, que existem pura e unicamente para ajudar sua família caso pedirem. São responsáveis também por conectar as pessoas á Pō, chamada de "Grande Escuridão", conhecida no Havaí por ser a força que criou o universo.
  No Havaí, todos tem um Aumakua, que protege sua família, seus animais e até suas plantas. A origem desse nome vem do idioma nativo havaiano: "au" significa viajar para longe, e "makua", significa ancestrais. Um bom exemplo de um Aumakua, é a deusa do vulcão, chamada Pele, que é uma ancestral bem antiga dos nativos havaianos, os quais frequentemente pedem favores e proteção á ela. O fato de os Aumakuas serem espíritos de pessoas da família torna a conexão entre deuses e humanos bem próxima e compassiva.
  Geralmente se manifestam na forma de animais: como tartaruga, tubarão, coruja, enguia, polvo, lagarto, corvo, águia, e muitos outros animais típicos do Havaí. O animal no qual seu Aumakua se manifesta, é considerado sagrado para sua família.
  Os espíritos Aumakua são invocados pelo "Kupuna", alguém mais antigo e sábio da família (como uma matriarca ou um patriarca), que oferecem aos espíritos oferendas de energia (que são chamados de "mana"). Os havaianos são responsáveis por "alimentar" seus Aumakuas, por isso rezam para eles, lhes oferecem sacrifícios (como por exemplo porcos, galinhas, cachorros e peixes), e folhas de plantas consideradas sagradas, como o Taro ("kalo" em havaiano), e a planta 'Awa (considerada a favorita deles). Caso alguém da família perca contato com seu Aumakua, o Kupuna da família é responsável por ajudá-los a se conectar de novo.


  Nem depois de mortos os familiares dos havaianos os deixam, nunca deixam a sua ohana,

  Porque ohana quer dizer família, e família quer dizer nunca mais abandonar...

  Ou esquecer:



A Constelação da Lhama - Lenda Inca

Author: Luiza / Marcadores: , , , , , , , ,


  Chegara a noite. Sentado debaixo de uma árvore, o jovem índio recordava, meio dormindo, tudo o que sabia sobre Yacana. Os anciãos lhe haviam ensinado que era uma espécie de "duplo celestial" da lhama, que de noite descia à terra para comer e beber, mas que ninguém conseguia vê-la, porque só andava no fundo dos rios. Os grandes sacerdotes contavam que Yacana era enorme e que seus olhos imensos brilhavam mais que as outras estrelas do céu. Seu pelo era branco e sedoso e, quando voava de volta ao céu, o vento que a acompanhava assoviava como os passarinhos azuis da floresta.
  O jovem índio pensava nisso tudo quando, de repente, foi ofuscado por um clarão azulado. Pouco a pouco, a luz foi tomando a forma de uma lhama e pousou na terra, a pequena distância de onde ele estava, junto a uma fonte. Era tão parecida com todas as descrições de Yacana que já tinha ouvido, que o índio a reconheceu imediatamente. Primeiro, quis se aproximar e falar com ela, de tão feliz que ficou por encontrá-la. Mas teve medo e se encolheu, sem se mexer mais, para não ser percebido, e ficou olhando, com a respiração suspensa. A lhama sagrada bebeu água da fonte. De repente, o rapaz sentiu que caía sobre ele uma chuva de lã macia, como se alguém estivesse tosquiando um rebanho de lhamas. Mas como ele estava com medo de Yacana, não se mexeu, não saiu do esconderijo e esperou o dia clarear. Quando acordou, a lhama tinha desaparecido. Na certa voltara para o céu enquanto ele estava de olhos fechados. Entretanto, a lã que ele sentira cair enquanto Yacana bebia a água da fonte ainda estava lá. Eram centenas de chumaços, de todas as cores! Ele nem acreditava nos seus olhos. Para alguém tão pobre como ele, que não possuía uma única lhama, aquela era a oportunidade da sua vida!
  Louco de alegria, correu até junto da fonte. Disse a ela que ia venerá-la até o fim de seus dias, e que, da mesma forma, ia adorar a constelação da lhama por toda a vida. Prometeu que voltaria todos os meses para oferecer o sacrifício de uma lhama jovem. Depois, recolheu toda aquela lã miraculosa e foi vendê-la na cidade.
  Os índios nunca tinham visto cores tão luminosas. Todo o mundo queria comprar as lãs. Ele vendeu tudo e, com o dinheiro, comprou um casal de lhamas que, como se fosse mágica, lhe deu mais duas mil lhamas em um ano. E ele logo ficou famoso em toda a montanha.
  Desde esse dia, os índios vão com frequência para perto da fonte sagrada, à espera de Yacana. Parece que ela desce à terra todas as noites, à meia-noite, e que bebe muita água. Os índios dizem que é por isso que não há mais dilúvios, porque com toda a água que os rios jogam no mar sem parar, se a constelação da lhama não viesse beber muito todas as noites, o mar já teria transbordado há muito tempo e engolido mais uma vez todas as aldeias...
  Yacana tem filhos. É impossível vê-los brilhando perto dela, mas são estrelas menores. bem perto delas cintilam três grandes estrelas, que também são veneradas. Quando se pode vê-las com  nitidez, é sinal de que os frutos ficarão perfeitamente maduros. Mas quando mal dá para vê-las, é porque as colheitas não vão ser boas. Então os índios vão até a fonte e lhe fazem oferendas de conchas, cantando:

 - Ó tu, que dás origem à água e que há tantos séculos regas nossos campos, faze a mesma coisa este ano e traze chuva para que a colheita seja boa.

  Yacana nunca mais voltou para junto dessa fonte. Parece que ela nunca bebe duas vezes no mesmo lugar. No entanto, desde esse dia, perto da fonte, quando o dia nasce, ouve-se o vento assoviar como os passarinhos azuis da floresta.

  As Estrelas

  As estrelas eram consideradas moradas dos espíritos e eram objeto de uma verdadeira veneração. Os índios não prestavam culto aos próprios astros, mas aos espíritos ancestrais que neles habitavam.
  No ritual da religião inca, certos animais eram oferecidos aos deuses, fosse para lhes dar mais força, fosse para conjurar influências maléficas.
  Os incas só sacrificavam animais domésticos, pois tudo aquilo que fosse dado para obter saúde e felicidade para os homens deveria ter sido adquirido por meio do trabalho. Para os incas, existia uma estreita relação não apenas entre aquele que faia o sacrifício e o animal sacrificado, mas também entre este e a divindade a quem era ofertado. na verdade, os índios supunham que havia um parentesco misterioso entre eles e os animais que haviam domesticado e que depois matavam para uma cerimônia religiosa. Acreditavam que as almas dos mortos se reencarnavam neles. E também pensavam que eles podiam predizer o futuro. E entre os animais sagrados, o favorito era a lhama.





Fonte: livro Os Incas, Mitos e Lendas, de Danièle Küss e Jean Torton

A Criação de Cuzco - Lenda Inca

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  Ayar Manco e Mama Ocllo tinham suspirado de alívio, quando viram a varinha de ouro afundar na terra de Cuzco, como se fosse na água. A viagem os deixara exaustos e estavam bem contentes de, finalmente, chegarem a seu destino.
  Mas, depois de descansarem um pouco, começaram a trabalhar. Com os índios que os acompanharam, principiaram a construção dos edifícios da futura capital do mundo Inca.
  Infelizmente, tudo o que construíam também afundava. E soprava no lugar um vento violento, que destruía tudo por onde passava.
  Que fazer? Mesmo as maiores pedras, que traziam com tanto esforço, voavam como se fossem galhos de árvore.
  De repente, Ayar Manco teve uma ideia: preciso capturar o vento e prendê-lo no curral das lhamas. Graças a um hábil estratagema, acabou conseguindo fazer isso e finalmente os trabalhos puderam começar.
  Ayar Manco e sua irmã acabavam de terminar o templo, quando surgiu seu irmão Ayar Ucho, que vivia na planície:
 - Que foi que você veio fazer aqui? - perguntou Ayar Manco. - Não é você que detesta a montanha?
 - Detesto - confirmou Ayar Ucho -, mas não aguento mais ouvir esses gemidos lúgubres, dia e noite. Quem foi que você prendeu nesse curral?
 - O vento - respondeu Ayar Manco , nervoso. - Ele não estava deixando que construíssemos a cidade que nosso pai, o Sol, nos mandou fundar aqui. Fui obrigado a prendê-lo, para conseguir trabalhar.
 - Você não tem o direito de maltratar dessa maneira o meu amigo vento! - gritou  Ayar Ucho, enfurecido. - Vou lhe dar um dia para acabar de construir essa sua cidade. Descerei de volta para a planície, mas esta noite, quando o sol se deitar, subirei de novo para soltar o coitado.

Ayar Ucho

  Ayar Manco ficou sem fala. Jamais conseguiria construir em um único dia a cidade com que tanto sonhara! Era impossível. Desesperada, sua irmã não conseguia prender o choro. Mas de repente Ayar Manco teve uma ideia. Chamou o maior de seus criados, apra acompanhá-lo ao alto da montanha. Lá, esperaram pacientemente que o Sol passasse bem ao lado deles e o agarraram de surpresa.
  Bem que ele tentou escapar, mas não houve jeito. Teve que se conformar e ficar amarrado num imenso bloco de pedra.
  Como Ayar Manco tinha imobilizado o Sol provisoriamente, o dia não terminava e ele pôde acabar de construir a cidade.
  Quando terminou de colocar a última pedra, verificou todas as construções para ver se estavam bem sólidas e libertou o Sol e o vento. Este se fastou a toda velocidade, com medo de ser apanhado de novo. Mas, para proteger sua cidade, se acaso ele resolvesse voltar, Ayar Manco criou montnhas bem altas em volta dela.
  Depois, casou-se com sua irmã Mama Occlo para fundar a primeira dinastia Inca e tomou o nome de Manco Capac.

  Sobre a cidade de Cuzco, em Peru
   
  Cuzco era o centro político e religioso do antigo império Inca. Pelo número de casas, ruas e mercados, era igual a muitas grandes cidades medievais europeias, suas contemporâneas. Antes da conquista espanhola, os peruanos comparavam sua cidade a um puma; o animal sagrado que adoravam devido a sua força: a cidade em si era o corpo e a fortaleza de Sacsahuaman era a cabeça. Estava dividida em duas partes: a parte alta (Hanan Cuzco) e a baixa (Hurin Cuzco), aparentemente a mais antiga, onde Manco Capac se instalou com seus companheiros e construiu o templo do Sol.
  De cada lado de dois riachos, para leste e para oeste, foi construída mais tarde uma série de casas modestas, de tijolos secos ao sol.
  Em seu apogeu, a cidade devia ter cerca de duzentos mil habitantes. Mas nos dias de mercado ou de grandes festas religiosas, esse número era ainda muito maior, e excepcional para a época.
  Em 1533, quando o espanhol Pizarro e seus soldados tomaram Cuzco, a cidade foi vítima de um vandalismo difícil de se imaginar. Mais tarde, aventureiros em busca de tesouros arqueológicos prosseguiram essa obra de destruição.


Lhamas pastando em Machu Pichu, na cidade de Cuzco, no Peru

    Fonte:

    KÜSS, Danièle; TORTON, Jean. Os Incas - Mitos e Lendas. São Paulo: Editora Ática, 1997.