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Forte de Bhangarh - Lenda Indiana

Author: Luiza / Marcadores: , , , , , , , , , ,


  É um palácio localizado no estado de Rajasthan, na Índia, construído no século XVII. É conhecido por ser o lugar mais assombrado da Índia, construído na região dos morros pelo rei Madho Singh. O rei consultou um Sadhu, místico do local considerado sagrado,  antes de construir o palácio e este disse que nenhum edifício deveria ser mais alto que sua casa, pois se alguma sombra cobrisse sua casa, todo o reino seria destruído.
  A profecia do Sadhu se tornou real após um descendente do rei construir uma parte do palácio mais alta do que o permitido e fez com que uma sombra cobrisse a casa do místico, fazendo com que o reino fosse destruído logo depois. Após esse dia, surgiu a lenda de que se algum estabelecimento for construído no local, seu teto irá desmoronar. Também é dito que qualquer pessoa que passasse a noite na cidade de Bhangarh, nunca mais retornaria.
  Bhangarh virou uma cidade fantasma. Apesar de sua beleza e de seu cenário pitoresco, todos os seus moradores se mudaram para outras regiões por causa do ambiente sinistro das redondezas do palácio, e das histórias de fantasmas e fenômenos paranormais do lugar. A cidade se tornou totalmente inabitada em 1783, restando apenas as ruínas da pequena cidade composta de casas, templos, palácios, e múltiplos portões que cobrem boa parte da área ao pé da montanha.

Interior do palácio de Bhangarh

  Outra lenda da cidade, é sobre a princesa Ratnavati, de Bhangarh. Diz-se que ela era muito bonita e que na época, aos 18 anos de idade, já tinha vários pedidos de casamento, por diversos nobres. Na mesma cidade, morava um feiticeiro, adepto da magia negra, que havia se apaixonado pela princesa. Um certo dia, esse feiticeiro viu uma das serviçais da princesa no mercado da cidade, ele então decidiu enfeitiçar a princesa para que ela se apaixonasse por ele usando magia negra, misturando uma poção do amor no óleo que a serviçal estava comprando.
  Porém, a princesa soube que o feiticeiro havia enfeitiçado o óleo, e quando ela o recebeu, jogou em cima de uma enorme rocha, o que reverteu o encanto e fez com que essa rocha esmagasse o feiticeiro. Antes de morrer, o feiticeiro jogou uma maldição de morte no reino e em todos que nele viviam. E no ano seguinte, o reino foi atacado e saqueado pelo exército dos Mughals. Os cidadãos foram dizimados, e a princesa foi assassinada.

  De acordo com a lenda, há muitos fantasmas assombrando a cidade de Bhangarh, por isso é proibido se aproximar de lá depois do pôr do sol e antes do sol nascer, dizem que o fantasma do rei Madho Singh vaga por lá nesse período. Fazer dano a qualquer árvore perto do forte é proibido, pastores e lenhadores não são permitidos entrar na região e quem quebrar qualquer uma dessas regras está sujeito á punição. Dizem que muitas pessoas desapareceram ao se aventurar no forte de Bhangarh á noite, ou morreram. As pessoas que moram no estado de Rajasthan dizem que a princesa Ratnavati reincarnou em alguém de lá e que o palácio espera a sua volta, pois só assim a maldição será quebrada.



Fonte: http://they-hide-in-the-dark.tumblr.com/post/97211776415/bhangarh-fort-the-most-haunted-place-in-india
https://en.wikipedia.org/wiki/Bhangarh_Fort
http://www.ancient-origins.net/myths-legends-asia/ghost-city-bhangarh-and-curse-holy-man-002380

O Reino Petrificado - Folclore Eslavo

Author: Luiza / Marcadores: , , , , , , , ,

Castles of Time - Nemtsev Yuriy. Óleo sobre tela. 70x100cm. 2016.


 Era uma vez um soldado muito cuidadoso e disciplinado.
 Um dia, quando lhe faltava já pouco tempo para terminar o serviço militar, os superiores começaram a embirrar com ele e a dar-lhe bengaladas. O soldado que não os podia aturar, resolveu fugir. Pôs a mochila ás costas e a espingarda ao ombro, e começou a despedir-se dos camaradas. Um deles perguntou-lhe:
   - Aonde vais?
 O soldado respondeu:
   - Não me façam essa pergunta. Passem muito bem.
 Foi andando, andando, até que chegou a outro reino. Aí viu uma sentinela e quis saber:
   - Não haverá por aqui algum lugar onde eu possa descansar?
 A sentinela foi perguntar ao sargento, o sargento ao oficial, este ao general, e o general perguntou ao próprio czar:
 O czar mandou chamar o soldado e perguntou-lhe:
   - Quem és tu, donde vens e aonde vais?
 O soldado confessou tudo e pediu ao rei que o tomasse ao seu serviço.
 O czar disse-lhe:
   - Está bem, ficas aqui de guarda ao jardim. Tem havido aqui coisas estranhas: alguém tem vindo partir as minhas árvores prediletas. Trata pois de guardar bem o jardim, que te hei de recompensar bem.
 O soldado aceitou e pôs-se a guardar o jardim.
 Durante dois anos tudo correu bem. Mas no terceiro ano, o soldado foi um dia ver todo o jardim. E viu que metade das melhores árvores estavam todas partidas. Ficou muito assustado, pois tinha medo que o czar o mandasse enforcar.


 Agarrou na espingarda e encostou-se a uma árvore, pensativo.
 De repente, ouviu-se um grande barulho. Era uma ave enorme e medonha que vinha partir árvores. O soldado deu-lhe um tiro, mas não a matou. Apenas a feriu na asa direita. A ave deixou cair da asa três penas e fugiu. O soldado persegui-a, mas como a ave corria muito depressa, safou-se para um abismo onde ele nunca lhe poderia deitar a mão.
 O soldado não teve medo e atirou-se também. Feriu-se e ficou sem sentidos durante um dia. Quando voltou a si, levantou-se e olhou em volta, vendo um mundo igual ao de cima.
 Pensou que lá também devia haver gente. Foi andando até que chegou a uma grande cidade. À porta estava uma sentinela.
 O soldado começou a fazer perguntas ao colega, mas este calava-se e não se mexia. Tocou-o então com uma mão e viu que era de pedra. O soldado foi ver o regimento da guarda e reparou em muita gente, uns de pé e outros sentados, mas todos petrificados.
 Depois foi passear pelas ruas, e viu em toda a parte a mesma coisa: ninguém era vivo, todos estavam petrificados. Foi dar em um balcão muito bonito, entrou e viu comidas e bebidas. Todavia, em volta estava tudo silencioso e deserto. O soldado comeu e bebeu, e depois sentou-se descansando.
 De repente sentiu que havia alguém na escada. Agarrou de novo na espingarda e pôs-se à porta.
 Então entrou no quarto uma bela princesa com aias e criadas. O soldado fez-lhe continência e ela cumprimentou-o carinhosamente, dizendo:
   - Bom dia, soldado. Conta-me como te achas aqui.
 O soldado assim fez:
   - Fiquei de guarda ao jardim do czar. Veio uma grande ave e começou a partir árvores. Dei-lhe um tiro e tirei-lhe três penas de uma asa. Corri atrás dela e cheguei aqui.
 Disse-lhe a princesa:
   - Essa ave é minha irmã. Tem feito muito mal e até prejudicou o meu reino: petrificou todo o povo. Mas olha, pega neste livrinho, põe-te aqui a lê-lo desde o anoitecer até os galos cantarem. Por mais medo que tenhas, não faças caso, lê o livrinho e segura-o bem para não o tirarem de ti, senão morres. Se estiveres assim três noites, caso contigo.
 O soldado aceitou.
 Ao anoitecer, pegou o livrinho e começou a ler. De súbito ouviu-se um grande barulho e entrou no palácio um exército inteiro, apareceram diante do soldado os seus antigos superiores e começaram a repreendê-lo e a ameaçá-lo de morte por ter fugido. Carregaram as espingardas e apontaram-nas ao moço. Mas ele não lhes ligou, continuando a ler.
 Cantaram então os galos e tudo se sumiu de repente.
 A noite seguinte foi mais medonha e a terceira pior ainda. Vieram algozes com serras, machados e martelos e queriam tirar-lhe o livro das mãos e dar cabo dele. Custou-lhe muito aguentar aquilo.
 Mas assim que os galos cantaram sumiu-se tudo, na segunda e na terceira noite, tal como na primeira.
 No mesmo dia ressuscitou o reino. Havia grande movimento nas ruas e nas casas. A princesa apareceu o palácio com os seus generais e todo o séquito. Agradeceram muito ao soldado, tratando-o por majestade.
 No dia seguinte o moço casou com a bela princesa e viveram muito felizes.


    Fonte:

MOUTINHO, Viale. Contos Populares Russos. São Paulo: editora Landy, 2000.