Os Primeiros Incas - Lenda Latino-Americana

Author: Luiza / Marcadores: , , , , , , , , , , , , , ,


  Antes do aparecimento dos incas sobre a Terra, toda essa região era feita apenas de altas montanhas cobertas de mato. Ali viviam homens que mais pareciam bestas ferozes, sem religião nem justiça, sem aldeias nem casas. Não sabiam cultivar plantas, nem se vestir, nem cozinhar. Abrigavam-se em cavernas e comiam raízes, frutas e carne crua. Nada os distinguia dos animais entre os quais viviam.
 Um dia, seu Criador, o Sol, teve pena deles. Resolveu lhes enviar dois de seus filhos, um homem e uma mulher, Ayar Manco e Mama Ocllo, para lhes ensinar a civilização. Chamou-os uma noite ao seu trono e disse:

 - Amanhã vocês vão descer até a Terra, bem cedo, para construir um novo Império. Ensinarão nossa grande civilização a esses selvagens que vivem como se fossem bichos. Com vocês, eles aprenderão a domesticar os animais que lhes permitirão ter o que comer e com que se vestir decentemente. Vocês lhes mostrarão como podem cultivar as plantas, tecer a lã, tingi-la, fabricar ferramentas e jóias. Explicarão a eles as principais regras da vida civilizada - em família e na aldeia. Sobretudo, não se esqueçam de lhes dizer que eu sou seu deus, criador e benfeitor deles, e que nunca devem deixar de me adorar. Mas, antes de tudo, vocês devem fundar uma capital. Nela, construam um templo para mim. E desse templo é que vocês partirão, para o norte e para o sul, a fim de conquistar o império.

  Ayar Manco e Mama Ocllo ouviram atentamente as palavras de seu pai. Logo se entusiasmaram com sua missão e lhe perguntaram onde deveriam fundar a capital do futuro Império Inca.

 - Peguem esta varinha de ouro - respondeu ele, solene. - Primeiro vocês vão encontrar um grande lago. Em seguida, vão caminhar para o norte. Cada vez que tiverem de parar, a fim de comer ou dormir, tentem enterrar a varinha no solo. Onde ela entrar sem nenhum esforço, é o lugar onde vocês devem fundar Cuzco e de onde governarão o novo Império do Sol.

  No dia seguinte, de amanhã, Ayar Manco e Mama Ocllo chegaram ao lago Titicaca, no momento exato em que o Sol surgia no horizonte. Suas jóias suntuosas brilhavam como estrelas de ouro. Seus trajes riquíssimos contrastavam de tal maneira com a aridez da paisagem em volta e com a pobreza dos homens que os olhavam, agachados atrás de umas moitas, que estes logo compreenderam que estavam diante de deuses. Só não sabiam é se deviam temê-los ou confiar neles. Resolveram então segui-los, escondidos, para ver o que tinham vindo fazer na Terra.
  Ayar Manco e Mama Ocllo logo se puseram a caminho do norte. Tinham pressa de cumprir a missão maravilhosa que o pai lhes confiara.
  Passaram-se os dias. A estrada parecia interminável, mas eles não tinham o direito de parar, já que a varinha de ouro nunca se enfiava no solo. Certa manhã, no entanto, o milagre se realizou. Haviam chegado a um belíssimo vale, cercado de montanhas majestosa, em um lugar que mais tarde se chamaria Huanacauri. Nesse dia, o sol brilhava de uma forma especial. O irmão e a irmã fizeram uma nova tentativa e, para sua surpresa, viram a varinha penetrar na terra sem nenhuma dificuldade!
  O primeiro Inca, então disse à irmã:

 - É aqui que o Sol, nosso pai, deseja que façamos sua vontade. Veja todos esses selvagens a nosso redor, nos observando. Vamos até eles, dar-lhes a boa notícia. Depois, eu vou para o norte e você para o sul. E daqui a pouco tempo, nos encontraremos aqui outra vez, para construirmos os primeiros edifícios de nosso reino.

  Em volta deles, apinhavam-se dezena de homens e mulheres. Sujos e vestidos de peles de animais, usavam longos cabelos caídos na cara e nas costas, e só se comunicavam por gestos e gritos. Ficaram muito tempo olhando Ayar Manco e Mama Occlo. Tinham mais espanto do que medo e ficaram longamente ouvindo esses estranhos que não pareciam com nada do que conheciam: língua, roupas, jóias, tudo lhes era desconhecido. Mas, milagrosamente, compreendiam tudo o que diziam a filha e o filho do Sol. Logo adquiriram confiança neles e os seguiram, para ajudar a construir aquele mundo melhor que os dois descreviam tão bem.
  Em poucos dias, centenas de homens e mulheres tinham se juntando a Ayar Manco e Mama Occlo. E logo foram milhões.

Notas:
  •  Em um século, o Império Inca se estendeu por mais de um milhão de quilômetros quadrados (duas vezes o tamanho da França) e era povoado por cerca de doze milhões de habitantes (no começo do século XVI, no reinado de Huayna Càpac).
  • Cuzco, que significa "umbigo do mundo" em quíchua, é uma cidade do Peru, onde a administração política e o centro das forças armadas do Império Inca ficavam localizados.
  • Os países Latino-Americanos nos quais os Incas dominaram são Peru, Equador, sul e oeste da Bolívia, noroeste da Argentina, norte do Chile e sul da Colômbia.

Machu Pichu, em Cuzco, Peru.

Fonte do texto: livro Os Incas, Mitos e Lendas, de Danièle Küss e Jean Torton

La Diablesse - Folclore Sul-Americano

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  La Diablesse, que em francês quer dizer "mulher diabo", é um tipo de espírito feminino transmorfo do folclore Caribenho e de Trinidade e Tobago, conhecido por ter um pacto com o diabo, e também por seduzir e enfeitiçar os homens que encontra para depois matá-los ou levá-los a insanidade. Pode adquirir várias formas, porém costuma ser vista como uma linda jovem vestida com roupas antigas. Dizem que sua real aparência é de um cadáver de uma senhora idosa com olhos flamejantes, que emana um cheiro de perfumes finos mesclado com um cheiro de carne podre, "flutua" sobre o chão, não exatamente voando, apenas planando, sem seus pés tocarem o chão, e que ouve-se barulho de correntes quando ela caminha. Independente de poder adquirir várias formas, La Diablesse sempre tem uma de suas pernas parecidas com a de uma vaca, e geralmente é identificada por essa característica, por isso tenta esconder as pernas usando um saião. Ela costuma usar um chapéu grande (para tentar esconder seu rosto horrendo), um turbante e ás vezes um véu.

  Ela costuma se esconder atrás de árvores, em lugares ermos, andar em meio á plantações de cana e de cacau e de ir á festas para encontrar homens a quem possa seduzir. Quando La Diablesse vai á uma festa, todas as mulheres presentes começam a não gostar dela e a sentir muita inveja.

  Há várias maneiras nas quais La Diablesse costuma matar suas vítimas: quando consegue seduzir um homem, ela o convence a acompanhá-la até muito longe e desaparece misteriosamente, deixando-o perdido, sem saber como voltar para casa; gosta de fazer suas vítimas se afogarem em lagos e rios; as enganam para que caiam de um penhasco; e a maneira mais comum é esperar que algum homem passe perto de onde ela está para que possa chamar sua atenção, assim que ele cair em seus encantos, vai se aproximando cada vez mais, até que ele possa ver sua aparência horrenda, e o mata de susto, ou o faz enlouquecer e se matar.

  Para ficar imune aos seus encantos a pessoa deve se despir por inteiro e depois vestir-se de novo com as roupas viradas no avesso. Para retirar seus poderes, deve-se roubar sua trouxinha de feitiço, que contém pó de cemitério, ossos e conchas, assim ela não poderá mais se transformar e nem enfeitiçar os homens.


Fonte: http://they-hide-in-the-dark.tumblr.com/post/99477446324/la-diablesse-a-malicious-shapeshifting-spirit
http://www.triniview.com/TnT/Folklore.htm
http://www.tntisland.com/folklore.html
http://www.guardian.co.tt/lifestyle/2013-10-26/legend-la-diablesse
http://thedemoniacal.blogspot.com.br/2011/04/la-diablesse.html

Luna - Curta metragem de terror

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  Eis aqui um curta de terror que está entre meus preferidos! O começo é um pouco monótono, mas o final é muito bom! Vale a pena : )

  Ah! E já avisando que há cenas de violência. Não é recomendado pra quem não gosta de coisas deste gênero.

  Escrito e dirigido por Antonio Perez

A História de Mae Nak - Folclore Tailandês

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  De acordo com a lenda, Mae Nak Phra Khanong (แม่นากพระโขนง, em Tailandês) foi uma bela jovem que viveu em Bangkok, na Tailândia, entre o final do século 18 e o começo do século 19. Ela foi casada com um jovem chamado Mak, o qual ela amava com todo o coração, amava muito mesmo. Um dia, Mak foi recrutado para o exército e foi mandado para lutar pelo seu país na guerra, deixando Mae Nak em casa, grávida de seu primeiro filho.
  Mak foi ferido gravemente em batalha, por isso foi mandado de volta para casa após obter os cuidados médicos necessários. Ao voltar para casa, encontrou sua querida esposa e filho recém nascido esperando por ele. Tudo parecia correr bem, até que seus vizinhos começaram a morrer de repente enquanto tentavam alertá-lo de algo sobre sua esposa e filho.
  Viveram normalmente por um tempo, até que um dia Mae Nak estava cozinhando, e sem querer deixou cair no chão um limão, que rolou até debaixo da varanda da casa. Na pressa, Mae Nak, se esquecendo de que seu marido estava presente, atravessou sua mão no assoalho e retirou o limão. Seu marido Mak, assustado com o que acabava de ver, se deu conta de que sua esposa e seu filho estavam na verdade mortos, tinham morrido durante o parto e retornaram á casa como fantasmas para recebê-lo.
  Para não levantar suspeitas de que descobrira o segredo de sua esposa, Mak agiu naturalmente até de noite, quando foram dormir, e saindo vagarosamente daquela casa, correu pela cidade até chegar a um templo local, pois sabia que lá dentro sua esposa fantasma não poderia alcançá-lo, já que o templo é solo sagrado.
  Ao perceber que seu marido havia sumido, Mae Nak ficou furiosa e começou a aterrorizar as pessoas da cidade, até que um exorcista conseguiu aprisionar seu espírito em um jarro, e o jogou em um rio.
  Algum tempo depois, foi construído um templo em Wat Mahabut para que Mae Nak pudesse descansar em paz. Até hoje pessoas vão visitá-lo para dar oferendas e pedir bênçãos.

A entrada do templo de Mae Nak

Interior do Templo de Mae Nak

Funayūrei - Folclore Japonês

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Quando as almas de pessoas que morreram no mar se transformam em espíritos vingativos, eles se transformam em um tipo de fantasma que se chama Funayūrei. Eles são as sombras dos marinheiros que morreram afogados, que permanecem nesse mundo para encontrar seus parentes e amigos e levá-los para o fundo do mar junto com eles. Como muitos outros fantasmas, os Funayūrei têm a aparência de cadáveres, vestindo roupas brancas típicas de funerais. Aparecem primeiramente como uma névoa estranha e luminosa, mas conforme vão se aproximando, formam a imagem de um navio cheio de tripulantes fantasmas.

Eles podem ser vistos á noite, durante a lua cheia ou nova, ou em noites tempestuosas, em meio á neblina, especialmente durante o Bon Odori (festival anual japonês que ocorre entre Julho e Agosto). Atacam de maneiras diversas: se virem um barco se aproximando, podem tomba-lo, ou enchê-lo de água até afundar utilizando conchas, criar luzes falsas como se fossem de faróis para conduzi-los até escarpas, e até mesmo ir á bordo dos outros barcos para tentar afundá-los. Seu foco é matar todos os tripulantes afogados para que possam acrescentar mais almas ao seu barco fantasma e torná-los Funayūreis.

Dizem que os 1,553 tripulantes mortos do navio Tōia Maru, que afundou durante um tufão no dia 26 de setembro de 1954 entre as ilhas Hokkaidō e Honshū viraram Funayūreis, pois outros navios tiveram dificuldades ao navegar no local do acidente e em alguns deles foram encontrados arranhões bem profundos e marcas de garras em suas hélices.

Não há métodos conhecidos para destruí-los ou fazê-los "descansar em paz", mas há maneiras de evitá-los, que são trazer a bordo nos navios baldes e recipientes com furos no fundo, para que não consigam enchê-lo com água do mar; jogando objetos dentro d'água para afastá-los, de preferência bolinhos de arroz, incenso, flores, baldes furados ou arroz lavado; apontar luzes em direção deles; e um método eficaz, porém perigoso, é não parar de seguir em frente enquanto um navio fantasma de Funayūreis estiver vindo em direção ao seu barco e transpassá-lo, pois assim ele se esvairá no ar. O que te faz também correr o risco de colidir, caso seja um barco de verdade.



Fonte de pesquisa: http://they-hide-in-the-dark.tumblr.com/post/82780268647/funayurei-funayurei-are-japanese-vengeful
http://yokai.com/funayuurei/
http://pt.wikipedia.org/wiki/Bon_Odori
http://en.wikipedia.org/wiki/T%C5%8Dya_Maru

The Backwater Gospel

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  Eis aqui outro curta metragem de terror, um dos meus preferidos! Eu, particularmente, acho esse curta muito bom, é bem crítico! É preciso ter a mente bem aberta para entender a mensagem através dessa história.

  AH! E já avisando a galera: tem muita violência e sangue nesse curta, então se você se assusta fácil, tem medo de filmes de terror, ou tem a mente fechada, não assista a esse vídeo! Fica por sua conta e risco : )

  Dirigido por Bo Mathorne
  Música por Sons of Perdition

Gancanagh - Folclore Celta

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   O Gancanagh, do gaélico Irlandês "gean cánach", que traduzido ao pé da letra significa "aquele que fala do amor", é um tipo de fada de escala mais baixa na "hierarquia" das fadas do folclore Irlandês. O Gancanagh é conhecido por seduzir mulheres humanas, normalmente pastoras de rebanho ou amas de leite. É parecido com o Leprechaun, que é outro tipo de fada da Irlanda. Aparece sempre fumando um cachimbo feito de argila, que não solta fumaça e que na Irlanda chamam de "dudeen". Dizem que os pássaros param de cantar na presença de um Gancanagh.

  É um ser bastante preguiçoso, e uma de suas principais características é sua ociosidade.     Ele seduz as mulheres sussurrando em seus ouvidos palavras de amor com sua voz encantadora, e desaparece misteriosamente após fazer amor com elas, e as deixam definhando por ele. Poucas mulheres sobrevivem após encontrá-lo, pois a maioria morre de desespero e desilusão por não conseguir tê-lo de volta.

  Dizem que a má sorte atinge qualquer pessoa que encontrar um Gancanagh, e que se um homem arruinou a própria fortuna e se tornou falido por se envolver com muitas mulheres, é porque alguma vez se deparou com um Gancanagh.

Arte por Erin-Claire Barrow